Alas – benefício ou malefício ao futebol tupiniquim?

Inaugurando a coluna sobre Cultura Futebolística, o Teoria FC apresenta, pra você leitor, uma abordagem sobre o surgimento dos alas e como isso prejudica até hoje a formação de jogadores brasileiros mais completos.

Sempre considerei os alas brasileiros verdadeiras aberrações táticas. Ninguém consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo e, para cobrir esses avanços, os técnicos precisam escalar mais zagueiros e/ou volantes para corrigir esse desequilíbrio tático. Ora, se alguém está em campo só para marcar e cobrir laterais, não seria bem mais inteligente ter mantido os laterais e os pontas tradicionais adaptados ao futebol atual? Com este pensamento, o “Teoria FC” aborda o surgimento dos nossos alas e por que essa função criou um dilema tático no futebol brasileiro.

É bastante conhecida a história envolvendo o lendário Nilton Santos na partida contra a Áustria no Mundial de 1958. A Seleção Brasileira já vencia por 1 a 0 quando no começo do segundo tempo o lateral-esquerdo decidiu aproveitar o espaço no flanco canhoto para apoiar o ataque. “Volta, Nilton!” gritava do banco o técnico Vicente Feola. Mas o Enciclopédia não deu ouvidos e continuou a avançar. “Volta, Nilton” repetiu a ordem, novamente ignorada. Eis que Nilton chuta da entrada da área e marca o segundo gol brasileiro. “Boa, Nilton”, murmurou o treinador.

À época, as subidas dos laterais ao ataque eram incomuns, para não dizer, proibidas. Mesmo porque, em tese, um módulo 4-2-4 não precisava de apoio constante de jogadores que tinham como função básica a marcação do ponteiro adversário. No entanto, dentro do esquema brasileiro, as arrancadas do lateral botafoguense até faziam sentido, afinal, havia a presença do voluntarioso Zagallo, que sempre recuava para compor o meio-campo, dando estabilidade ao sistema defensivo. Mesmo assim, a subida de laterais ao ataque era tão rara que aquele foi apenas um dos três gols que Nilton marcou com a camisa canarinho.

Doze anos depois, o panorama era diferente. Carlos Alberto Torres, lateral-direito e capitão da Seleção, tinha como uma de suas funções e chegada ao ataque aproveitando o corredor deixado pelas diagonais do atacante Jairzinho. O melhor exemplo aconteceu na final contra a Itália, quando o capitão brasileiro aproveitou a marcação homem a homem do lateral-esquerdo Facchetti sobre o camisa 7 para marcar o último gol brasileiro na vitória por 4 a 1. Enquanto isso, no outro extremo da defesa, Everaldo tinha ordens para guardar mais a posição, funcionando como lateral tradicional ou até mesmo um terceiro zagueiro.

A Copa de 1982 marcou o fim da utilização de dois pontas na Seleção Brasileira e a maior liberdade para os laterais. Na Espanha, os laterais Leandro e Júnior tinham liberdade para apoiar fazendo uso constante de ultrapassagens. No time concebido por Telê Santana, Éder fazia as funções de ponta-esquerda e segundo atacante, enquanto um acordo previa o revezamento entre Zico, Sócrates e outros no flanco direito. Na prática, o Galinho de Quintino era o que mais caía pelo setor, o que acabou provocando o descontentamento do craque. Nasciam ali, os futuros alas brasileiros com obrigações de atuar por toda extensão lateral do gramado, tanto na defesa quanto no ataque.

O 3-5-2 surgiu em 1984 através do alemão Sepp Piontek, técnico da Dinamarca semifinalista da Eurocopa daquele ano. Basicamente, Piontek acreditava que o novo sistema seria ideal diante do mundialmente instaurado 4-4-2, pois tinha três defensores para marcar os dois atacantes adversários e um jogador a mais no meio-campo. Dois anos depois, o técnico chamou a atenção do mundo ao utilizar o mesmo módulo no México e conquistar a primeira colocação de um grupo que contava com Alemanha, Escócia e Uruguai. Embora tenha encantado, a chamada Dinamáquina encontrou seu carrasco logo nas oitavas-de-final daquela Copa ao ser batida pela Espanha de Butragueño por inapeláveis 5×1. Todavia, a semente estava plantada e no Mundial de 1990 nada menos que 20 das 24 seleções usaram o 3-5-2. Entre elas, o Brasil.

Na Itália, a Seleção de Sebastião Lazaroni adotou o 3-5-2 num Mundial marcado pela supremacia dos sistemas defensivos. No esquema brasileiro, o trio de zagueiros tinha à frente o volante Dunga, enquanto os meias Alemão e Valdo se alinhavam aos alas Jorginho e Branco. No ataque, Muller atuava prioritariamente pelos flancos, enquanto o centroavante Careca permanecia mais centralizado. Dada a carência criativa daquela equipe, esse time é lembrado como uma das piores versões do Brasil em Copas.

Todavia, a dinastia dos alas brasileiros estava consolidada. E, com ela, a necessidade de realizar a cobertura dos espaços deixados pelos intrépidos laterais. Em 1994, Zinho, conhecido por seu dinamismo, ficou conhecido como “enceradeira” justamente pelo suporte que precisava dar ao lateral esquerdo. Orientado por Carlos Alberto Parreira, Zinho segurava a bola até a passagem de Branco (ou Leonardo) e geralmente cumpria essa tarefa girando o corpo para protegê-la dos adversários. No lado direito, a obrigação era de Dunga que frequentemente ouvia “Vai Cafu! Vai Cafu! O Dunga te cobre!” e, taticamente obediente como sempre foi, já sabia o que fazer. O apoio simultâneo dos laterais era tão constante àquele time, que Mauro Silva foi muitas vezes era visto em campo como um terceiro zagueiro. Quatro anos depois, Zagallo manteve esquematização semelhante: “Quero meus laterais jogando como pontas”, dizia. Não por acaso, o bloqueio das laterais do campo foi uma das estratégias utilizadas pelo técnico Aimé Jacquet na fatídica final entre Brasil e França. Com as laterais fechadas, o time teve que sair jogando pelo meio. O resto é história.

Em 2002, a maior preocupação de Scolari na montagem da futura seleção pentacampeã era justamente como se defender tendo laterais tão ofensivos quanto Cafu e Roberto Carlos. Este último até era acostumado a jogar na primeira linha do Real Madrid. Cafu, porém, atuava na segunda linha da Roma tendo o italiano Panucci atrás de si. Como solução, Felipão escalou um trio de zagueiros formado por Lúcio, Edmilson e Roque Júnior e ainda destacou Gilberto Silva como guardião da defesa. Versátil, Edmilson também atuava como volante de acordo com a postura do adversário, alterando o módulo do time de um 3-4-2-1 para um 4-3-2-1. No fim, a intenção era ter um time capaz de suportar e municiar os três craques do time: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Parreira reassumiu a Seleção em seguida e trocou o sistema com três zagueiros por sua ortodoxa linha de quatro. Nesse 4-3-1-2, a saída de bola era realizada por Roberto Carlos, Cafu e o volante Emerson que, se não era limitado tecnicamente, também não primava pela excelência no passe. Mais à frente, Juninho Pernambucano e Zé Roberto davam a classe que o meio-campo precisava, enquanto Kaká fazia a ligação para o ataque formado pelos os dois Ronaldos. Entretanto, cedendo ao clamor popular, Parreira trocou o equilíbrio tático por uma aventura batizada como “quadrado mágico”, onde Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo colaboravam pouco com o sistema defensivo. Na prática, havia uma cisão entre ataque e defesa onde não havia armadores capazes de amarrar as duas partes.

E foi justamente nesse ponto que os laterais começaram a cobrar um alto preço na formação de nossos jogadores. A divisão estava clara: Formávamos volantes essencialmente marcadores – que tinham como uma de suas funções cobrir os avanços dos alas – e meias, quase que exclusivamente ofensivos. Na base e no profissional, qualquer jogador mais criativo é logo adiantado para o campo de ataque sob o pretexto de que o talento não pode se desgastar com a marcação. Naquele momento, o meia clássico capaz de armar o jogo e ainda ser capaz de marcar estava praticamente morto. O melhor exemplo desse “defeito de fabricação” foi visto na Copa de 2010. Na África do Sul, a equipe comandada por Dunga trabalhava com dois volantes marcadores e uma linha de três homens voltada para o ataque (com exceção do Elano).

Atualmente, esse é o maior dilema dos treinadores brasileiros. Sabem que a tendência mundial é que os volantes joguem, mas não tem matéria-prima para isso. Por anos desenvolvemos jogadores unidimensionais e agora a fatura chegou. Felizmente, ao que tudo indica, esse equívoco histórico já foi detectado. Todavia, solucioná-lo pode demandar algumas gerações.

(Por Raphael).

“ZEBRA” – Define campeonato?

Acima, jogadores do Chelsea, que numa totalidade de zebras impressionante, ao final de tudo, comemoraram o título do campeonato mais importante da europa.

Poxa vida! Seu time acaba de empatar, jogando na sua própria casa, com o lanterna do campeonato, fazendo com que toda sequência de bons resultados conseguidos pela equipe vá para o lixo. Agora a torcida está enfurecida, pois acreditam que resultados que não sejam a vitória contra times pequenos significam deixar a taça escapar. Todos cobram uma postura de um time vencedor, que não empata com equipes inferiores. Manifestos frente à administração do clube. Atletas sendo hostilizados na saída do jogo. A situação está realmente um caos e o clube está a um passo de ser fechado.

Mas… Um momento. Será que um resultado desses é motivo pra causar toda essa baderna? O Teoria FC mostrará a você, leitor, que uma situação dessas não é tão inaceitável assim.

Empates e derrotas fazem parte do futebol, e isso todo torcedor deve aceitar. É claro que um resultado considerado “zebra” (termo dado à partida na qual o favorito não saiu vitorioso) não agrada a ninguém, mas o fato é que na grande maioria (ou até mesmo totalidade) dos campeonatos de pontos corridos, todos os times tem resultados desse tipo. Para comprovar o que lhes digo, vamos aos acontecimentos que ocorreram nas últimas três edições do Campeonato Brasileiro:

2011 – Campeão: Corinthians
Zebras:
Empate, 2×2 com Ceará, em casa.
Derrota de 3×2 para o Avaí.

2010 – Campeão: Fluminense
Zebras:
Empate, 1×1 com Goiás, em casa.
Empate, 1×1 com Barueri, em casa.

2009 – Campeão: Flamengo
Zebras:
Empate, 0x0 com Náutico, em casa.
Empate, 1×1 com Barueri, em casa.

Sabemos que, apesar dessas zebras, os times comentados foram campeões. Porém, a zebra acontece com todos os times, e não só com o vencedor do campeonato, e isso é que faz com que o empate contra o lanterna seja aceitável. Então, tudo leva a crer que os pontos diferenciais que faz um time chegar à taça são conquistados fora de casa, e contra times fortes.

Além da zebra, outro fator que muitos julgam “definir um campeonato” são os ‘’resultados injustos’’, escores finais que não condizem com o desenvolvimento do jogo. Deixaremos então esse tema para um futuro post, onde falaremos especificamente sobre o assunto em questão. Forte abraço!

(Por Gustavo).

NA VÉSPERA DE CLÁSSICO, INTER E LUSA EMPATAM EM JOGO POLÊMICO

Apito amigo?

Vindo de uma derrota para o Corinthians, a equipe do Internacional tentou se reabilitar no Canindé, contra a Portuguesa, que vinha de uma vitória fora de casa contra o principal rival do clube gaúcho, o Grêmio.

O time escalado, comparado ao da 17ª rodada, recebeu reforços. Damião, Guiñazú e Forlán, retornando da Seleção, foram os principais. Além deles, Ygor, voltando de suspensão, entrou no lugar de Fabrício, fazendo com que Kléber voltasse a atuar na sua posição de origem.
Embora o time tenha se reforçado, o técnico colorado não conseguiu escalar a equipe ideal (de novo), pois D’alessandro ainda está no departamento médico.
Já a equipe Rubro-Verde praticamente manteve a mesma escalação do jogo passado, salvo exceção de Valdomiro no lugar de Rogério, ambos zagueiros.

Fernandão armou um time bastante ofensivo, 4-3-3, com volantes avançados, onde quem fazia a ligação com o ataque era, ora o lateral da equipe, que buscava Rafael Moura ou Forlán abertos, ora Élton e Guiñazú, que subiam de acordo com o lado da jogada.
Precavido, Geninho colocou dois volantes com o único dever de marcar, deixou o ataque por conta dos laterais e dos seus 4 homens de frente.

Num primeiro tempo apático, onde as melhores chances foram da equipe visitante, o time colorado demorou à se ajeitar no setor ofensivo. Forlán e Rafael Moura foram trocados de lado várias vezes até se acertarem. Os laterais da Portuguesa apareceram bastante, principalmente Kléber, que se infiltrava ao meio, e foi assim que o placar foi quase aberto à favor da equipe gaúcha, não fosse o milagre de Dida e a má sorte de Damião.
O time da casa chegou ao ataque somente no início do segundo tempo. Após observar como a Lusa ia se comportar, Fernandão mandou Nei fechar uma linha de 3 junto com Bolívar e Indio quando Marcelo Cordeiro subisse para apoiar. Élton acompanhava o lateral esquerdo da Portuguesa.

Internacional, no seu 4-3-3 inicial, contra uma Portuguesa bem organizada defensivamente. Nota-se também, o uso ofensivo assíduo dos laterais de ambos os times.

No segundo tempo, o técnico visitante colocou mais um zagueiro em campo, o estreante Juan, no lugar de Élton. Essa substituição não foi para segurar o empate e nem para armar uma retranca, é justamente o contrário disso.
Com Juan na zaga, o esquema tático alterou para 3-5-2, onde Nei e Kléber, que antes já apareciam para o jogo, agora apareceram muito mais no setor ofensivo. Forlán, mais centralizado, mas também caindo pelas pontas, fazia jogada com os laterais e com o centroavante que abria para receber.
No decorrer do tempo, a Lusa começou a crescer no jogo, obrigando o técnico da equipe do Inter à colocar um homem a mais na marcação e que fizesse também a ligação com o ataque. Rafael Moura foi substituído por Fred, fazendo com que o jogo mudasse a favor dos colorados.

O garoto entrou e jogou numa posição centralizada, abrindo para jogar com os laterais e voltando para marcar. Forlán foi para o ataque, mas jogou aberto pela esquerda, fazendo tabelas com Kleber, Guiñazu e Fred. E foi justamente desse lado do campo que uma falta foi feita a favor do Inter e convertida em gol por Juan, após um cruzamento.

Após o gol, Geninho colocou em campo o atacante Diego Vianna no lugar do lateral direito Ivan. O time da casa, ao contrário do primeiro tempo, praticamente abdicou de jogar pelo seu lado esquerdo, e fazia jogadas com Boquita, Moisés, Bruno Mineiro e Diego. Pelo lado direito do campo ofensivo, nas costas de Kleber, criaram algumas oportunidades e faltas perigosas, mas foi com uma falta centralizada na linha intermediária do campo que a equipe da casa sofreu um pênalti polêmico, cometido por Índio, e conseguiu, com o ex-colorado Marcelo Cordeiro, a igualdade no escore.

Um segundo tempo mais aberto, com chances dos dois lados. Internacional com uma linha de 3 atrás e liberando mais os alas, enfrentando um esquema Rubro-Verde que chegou a ter até 3 atacantes.

Num jogo bem movimentado taticamente, e polêmico, ou não, empate em 1-1 no Canindé.

(Por Gustavo).

BRASILEIROS NÃO SABEM TORCER

Argentina, após derrota na Copa do Mundo de 2010 (0-4 contra a Alemanha), sendo recebida com festa

Bem, amigos… como todos vocês sabem, características étnicas, históricas e marcantes são únicas em cada povo. A todo esse conjunto damos o nome de cultura. E como não dizer que, a maneira de se comportar seja também parte da cultura de um povo? E o principal pra todos nós, alucinados pelo esporte mais sensacional do mundo – sem desmerecer os outros, mas futebol é futebol – o comportamento de um povo num estádio de futebol. Sim, meus irmãos, pra esse que vos fala, isso é também parte da cultura.

Se cada costume caracteriza o povo de uma determinada nação ou região, no meu modo de ver, a forma com a qual o brasileiro apoia seu clube e sua seleção, não são as que mais definem o significado da palavra “torcer”.

Em termos gerais, vejo um povo que apenas consegue valorizar o que é seu. O do resto não presta, ao modo de ver de uma bela fatia do povo. Alguns se defendem sob a afirmação de que muitos “paga pau” – termo preferido deles – são exatamente o oposto deles. Referindo-se à predileção de alguns pelo futebol do exterior. Via de regra, o europeu. Mas esse é o erro. Todo extremismo é sem razão. E a razão, essa coisinha que poucos têm, deve(ia) ser bastante usada na hora de se comentar, falar ou conversar sobre futebol. Nem que seja num papo informal de boteco.

Claro, nem todo mundo quer ser jornalista esportivo. Aliás, quase ninguém faz questão de debater futebol como tem que ser. Com a razão se sobrepondo à emoção. E eu até apoio isso. Desde que a questão agora seja TORCER. Deixa eu ser mais claro: conforme aprendi com o próprio Aurélio, debater significa discutir, expor ideias, discordar (claro), mas sem ofensas, usando preferencialmente a racionalidade. Já torcer, tem um sinônimo mais claro no futebol: apoiar, celebrar, sofrer, chorar… Essas ações só envolvem a emoção. O SENTIMENTO.

O torcedor brasileiro não gosta de perder. Detesta, diga-se. Bela prova disso é uma coisa que todos fazem quando seu clube está bem e numa boa sequência de resultados positivos. O time é ótimo e TODOS os jogadores são selecionáveis. Se a equipe emplacar um jejum de vitórias aliado a más apresentações, vixi… aí ninguém presta, todos os jogadores são “lixos”, e acaba INEXORAVELMENTE sobrando pra um cidadão: aquele que “usa” boné.

Mas, nesse assunto, não há melhor exemplo que o da própria seleção. É incrível a capacidade de se transtornar bipolarmente do brasileiro em dia de jogos da seleção nacional. Uma boa apresentação contra um adversário fraco e que, sabia-se não seria o melhor teste, é suficiente pra canarinho ser elevada ao posto de melhor futebol do mundo e celeiro de craques e futebol-arte. Entretanto, basta uma atuação razoável contra um adversário que, queiram as múmias ou não, evoluiu (e muito) com o tempo para que críticas sejam feitas em demasia e sem muito nexo. E se não sair nem um golzinho, amigo… sai de baixo! A melhor seleção do mundo é rebaixada ao posto de time de bairro. Sendo sempre ela culpada.

O Brasil só perde pra ele mesmo. Vide derrotas pra França, Holanda nas últimas Copas, e (empate) Paraguai na Copa América desse ano. Brasileiros são incapazes de reconhecer méritos em seus adversários. E isso começa pela imprensa. Não vou nem dizer que ela manipula as pessoas. Isso acontece com gente sem instrução/formação escolar. Sabemos que existe demais por aqui, mas não é o perfil de quem eu vejo revelar essa falta de humildade em reconhecer fatos.

Brasileiro tem que aprender que não é mais o supra-sumo do futebol. As diferenças diminuiram e muito, e isso é bom pro futebol. Mas ao mesmo tempo, tem que apoiar DOENTIAMENTE seus amores. Reconhecer o que está ruim é hombridade. Mas deixar de apoiá-lo (clube ou seleção), é falta de caráter, com todo respeito. Quero apenas deixar uma frase para reflexão: “HAY QUE SE ALENTAR HASTA LA MUERTE!”

(Por Lucho).

CORITIBA 1-2 CORINTHIANS: 9 JOGOS DE INVENCIBILIDADE ESBOÇAM VOLTA DO CAMPEÃO DA AMÉRICA

São 9 jogos sem perder. Vitórias sobre Náutico (2-1), Flamengo (0-3), Cruzeiro (2-0) e, na última rodada, sobre o Coritiba (1-2). Além, é claro, de empates contra Bahia (0-0), Portuguesa (1-1), Altético Goianiense (1-1), Vasco (0-0) e Sport (1-1). 4 vitórias, 5 empates, 12 gols marcados, 5 sofridos. É o ideal? Não, mas é um passo largo em direção ao time que recentemente foi campeão brasileiro e da Copa Libertadores da América (invicto).

Em relação ao time títular que jogou a competição continental, apenas Alex saiu, negociado com o Al-Gharrafa. Willian foi para o Metalist, mas não era títular. O sistema segue muito parecido, alternando o 4-2-3-1 com o 4-4-2. Aí está o segredo. É um time que mudou muito pouco e, aliando isso ao entrosamento e os reforços recém chegados, o Corinthians tem grandes possibilidades de fazer um grande campeonato. Basta querer.

Na partida contra o Coritiba, ficou evidente o 4-2-3-1 com Danilo, Douglas e Jorge Henrique na linha de 3 meias e, surpreendentemente, Romarinho à frente.

Coritiba resolveu jogar com uma linha de 3 jogadores atrás do armador, Éverton Ribeiro. Boa opção no primeiro tempo, conseguindo negar espaço para Paulinho, principalmente.

O primeiro tempo foi um jogo tecnicamente fraco e sem muitas chances claras. O Coritiba não conseguiu criar chances e o Corinthians ficou com um falso domínio, apenas controlando a posse de bola, sem maiores sustos para a defesa do Coxa. No final do primeiro tempo veio o gol que “salvou” o jogo. Numa bonita tabela entre Éverton Ribeiro e Leonardo, o time da casa abriu o placar aos 46 minutos jogados.

No segundo tempo, Tite voltou com Guerrero no lugar de Douglas, apagado. Pouco depois, Fábio Santos (machucado), deu lugar ao argentino Martínez. Aí começou a virada.

Com a entrada de Guerrero, Corinthians passou a ter referência no ataque. Martínez ficou à vontade na esquerda e foi fundamental.

Perdendo o jogo, Tite ousou e passou Jorge Henrique para a ala esquerda, com liberdade maior no apoio, auxiliando Martínez na criação de jogadas pelo lado esquerdo (de onde saiu o primeiro gol). Danilo passou a ser o jogador “cerebral” e, Romarinho, que havia começado de atacante, acabou o jogo na meia direita, com Guerrero à frente da linha de 3 armadores.

O prêmio veio com a boa movimentação e troca de posições do ataque corintiano. Guerrero caia pelo lado esquerdo, enquanto Romarinho centralizava e abria espaço para Paulinho, que já havia feito o primeiro gol. Na parte final do jogo isso ficou claro, onde numa jogada pela direita iniciada pelo volante Paulinho, terminou com o gol de letra de Romarinho, como “falso 9?, aparecendo como homem surpresa.

O Coritiba sentou na vantagem do 1-0, e, “por sorte”, a contusão de Fábio Santos fez Tite mudar e acertar o time, com a entrada de Guerrero e Martínez, para, assim, vencer a difícil partida que foi contra o Coritiba.

(Por Júnior).

AMOR À CAMISA

“Luisíto” Suárez, ao evitar o gol de Gana, na Copa, com a mão

Ele impediu, com a mão, dentro da área, que o gol da equipe adversária saísse, foi expulso e criou uma chance clara de gol, o famoso pênalti, para o time de Gana. Ainda me lembro dele, ao sair de campo, estar chorando como se quisesse dizer: “agora é o fim mesmo”.

Caminhou lentamente ao vestiário com uma última esperança, pois, se a cobrança da penalidade máxima fosse desperdiçada, o jogo caminharia para a disputa de pênaltis.

Aí surge o milagre uruguayo, ou a falta de sorte para o jogador Ganês.

Gyan caminha para a marca da cal, ajeita a Jabulani, corre para uma batida forte e violenta. O chute sai com uma velocidade incrível e, fatidicamente, a bola explode no travessão.

O desespero toma conta da feição de Gyan e de todos os ganeses, mas em contra partida contagia o antigo pecador Luis Alberto Suárez Diaz e o põe na lista de divindades da nação uruguaya.

Tudo isso por amor à pátria uruguaya. Amor à camisa celeste.

Mas será que ainda existe esse tal de “amor à camisa”?

Uma vez o empresário Léo Rabello declarou em entrevista ao site da Rede Globo o seguinte: “o futebol que o público vê é uma grande mentira. O jogador de futebol vê dinheiro. Esse carinho, esse amor não existe, é folclórico. Quem balança a camisa quando faz gol, beija escudo, é hipócrita.”

Fala-se que saudosismo é viver do passado, que se deve sempre pensar no futuro.

Porém, se olharmos para o esporte – para o futebol em particular – não há como não ser saudosista, pois antigamente se jogava o futebol verdadeiro e existia o chamado amor à camisa.

Pode-se perguntar qual a diferença entre as épocas; hoje os “craques”, após uma vitória, desmancham-se em manifestações de amor, beijando a camisa, jogando-a para a torcida, juntamente com beijinhos mil. Dirão os anti-saudosistas: “ora, mas não é isso amor à camisa?” Será? Este mesmo “craque” que hoje beija a camisa do Flamengo, amanhã estará fazendo o mesmo com a camisa do Vasco e comemorando um gol contra o Flamengo. Dirão de bate – pronto: “isso é profissionalismo!”. Sim, o amor à camisa infelizmente foi substituído pelo amor ao dinheiro.

Antigamente, cultivava-se o verdadeiro amor à camisa, pois os jogadores permaneciam anos a fio jogando pelo mesmo time. Os torcedores conheciam as escalações de cor e salteado. Qual são paulino da velha guarda não se lembra das escalações dos anos 40 e 50? De Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo, Teixeirinha, Bauer, Rui, Noronha? Qual palmeirense não se lembra de Oberdã, Junqueira, Begliomini, Viladoniga, Lima, Aquiles, Canhotinho? E os corintianos, de Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone, Mário, Brandão? Foram jogadores que praticamente viveram suas carreiras em um único time.

Isso sim era amor à camisa. Os profissionais da época conseguiam sentir amor pelo time, vibravam de verdade com as vitórias e choravam nas derrotas. Hoje, nas derrotas, só lamentam o bicho perdido. Não se pode criticar somente os jogadores pela lamentável perda do amor à camisa. Os maiores culpados são os dirigentes dos clubes que, visando tirar as maiores vantagens possíveis, não hesitam em se desfazer dos ídolos das torcidas, deixando-as órfãs, sem saber a escalação do time no semestre seguinte. Hoje em dia as referências são poucas. Temos Rogério Ceni e Marcos (já aposentado), de São Paulo e Palmeiras respectivamente, que já rejeitaram propostas de clubes europeus para continuarem em seus clubes. Juninho Pernambucano que aceita voltar para o Vasco [depois de uma saída conturbada por conta do ex-presidente] por um salário mínimo. Exemplos no exterior? Maldini e Billy Costacurta só conheceram a camisa do Milan. Totti teve propostas milionárias para sair da Roma e preferiu ficar. Casillas assina contrato vitalício com o Real Madrid. Riquelme devolveu parte dos salários ao Boca Juniors por estar lesionado e ter dado prejuízo ao clube nesse tempo. Amor à camisa ou burrice?

“Os atletas não deveriam nunca se esquecer de jogar por amor ao time e ao futebol. Os jogadores amam quem paga um pouco mais. Às vezes, eu os provoco dizendo que hoje eles ganham em um ano o que eu ganhei em dez. Em 1974, quando o Santos vivia um momento de dificuldades financeiras, eu joguei um ano inteiro de graça. Abri mão do meu salário.” – Pelé.

E pra você, existe ou não amor à camisa?

(Por Raphael).

MÁ ADMINISTRAÇÃO DOS CLUBES IMPEDE TÍTULOS

“Sir” Alex Ferguson, manager do Manchester United

Muito bem, caros. Essa teoria se trata da importância que tem as decisões de um dirigente ou administrador de equipes de futebol. O foco da teoria, no caso, é que a continuidade e sequência no trabalho de um técnico de futebol gera títulos, muitos títulos.

Começando pelo manager da foto acima, Alex Ferguson, ou simplesmente “Sir Alex”, como é respeitosamente chamado pela imprensa e torcedores em geral, na Inglaterra. SAF é treinador e dirigente de futebol (daí vem o nome manager, acumula função de treinador e gerente geral de futebol) do Manchester United, um dos clubes mais vencedores da história do futebol mundial. Tudo que é relacionado a construção de elenco, contratações, vendas de jogadores, formação de equipe e padronização tática é de obrigação e função do escocês, que beira os 70 anos. Ferguson está no Manchester United há 25 anos e ganhou sonoros 32 (TRINTA E DOIS) títulos no clube britânico. Na média, daria mais que 1 título por ano, o que é excepcional, correto ? Pois é, mas não começou assim. Após desembarcar na Inglaterra para comandar os Red Devils, SAF demorou 7 temporadas para obter sua primeira conquista. Parece mentira, mas não é. O técnico/manager mais vitorioso da história, somando todos os esportes, demorou 7 anos pra começar a construção de uma equipe campeã e respeitada.

Outro exemplo magnífico de que continuidade e paciência é a chave para os títulos é Brian Clough. Este, londrino, já falecido, foi o maior técnico inglês já visto. Em sua homenagem foi feito o filme “The Damned United”, estrelado por Michael Sheen. Clough, como é mostrado no longa, era um adepto do futebol bonito e vistoso. Foi técnico do Hartlepool United, Derby County, Leeds United e Nottingham Forest, todos britânicos. No Derby, foi campeão da segunda divisão inglesa em 69 e, já em 72, conquistou a primeira divisão. Já no Leeds, Clough teve uma passagem apagada e conturbada, que não vale citar (quem quiser, assista o filme para obter mais detalhes). No Nottingham Forest ele conseguiu 11 conquistas em 18 anos de clube. O clube do subúrbio de Nottingham não era sequer tradicional e, com o comandante britânico, foi campeão europeu por 2 vezes e passou a ser conhecido e respeitado por todos, mesmo que no atual momento não esteja nos holofotes, jogando na segunda divisão inglesa.

Agora, imaginem no Brasil, como dizem, “O país do futebol” (que discordo totalmente), se seria possível um treinador permanecer 7 anos no mesmo clube… não, obviamente não seria possível. A cultura inadmissível e pobre dos dirigentes, imprensa e do torcedor brasileiro impedem nossos clubes de conquistarem mais títulos, de serem mais respeitados e vitoriosos no futebol. Se em 10 jogos o treinador não vencer 70% das partidas, já passa a ser criticado, pressionado pelo trabalho e, provavelmente, será demitido.

O exemplo que temos no Brasil é Muricy Ramalho, atual técnico do Santos Futebol Clube. Quando treinava o rival, São Paulo, Muricy foi campeão brasileiro em todos seus anos à frente do clube (2006, 2007 e 2008). Em 2009, fora eliminado da Libertadores de América e a direção achou melhor finalizar o excelente trabalho do treinador. Desde então, o SPFC não ganhou nenhum título, e, coincidência ou não, Muricy foi campeão brasileiro pelo Fluminense, bi campeão paulista e campeão da Libertadores da América pelo Santos, e, ainda assim, se deu ao luxo de recusar um convite da Seleção Brasileira de Futebol.

Seria interessante se essa mudança de visão e associação que as pessoas tem do futebol viesse dos torcedores. Se nós começarmos a entender e tentar mudar essa filosofia de pensamento, já será um grande passo para que nossos dirigentes futuros apliquem suas decisões em relação aos técnicos/managers de forma diferente.

E aí, vai chamar o técnico do seu time de “burro” na primeira derrota ?
Vale a reflexão.

(Por Júnior).