A globalização no futebol

A globalização sempre foi um assunto que muito chamou minha atenção. O que me era mais interessante na minha visão superficial do tema, era o encurtamento das distâncias e não a ausência de fronteiras, como alguns queriam. É lógico que sou totalmente a favor da valorização e respeito a cada tipo de cultura, e pelo que entendia, não era esse o real objetivo da globalização mundial. Mas entendo também, que a polêmica em torno deste assunto é muito grande, assim como a dificuldade disso acontecer no mundo normal. Mas o que isso tem a ver com o tema desse texto? A seguir vocês entenderão onde quero chegar.

Bom, já que a implantação de um mundo (real) globalizado é tão difícil, acredito eu – e até me importo mais – que um teste poderia ser feito no nosso mundo paralelo que é o do futebol. Se temos uma organização soberana e todas as outras continentais têm de se curvar a ela, por que não tomar como modelo os exemplos de sucesso no futebol? Como disse na introdução sobre o significado mais óbvio de globalização: não precisa desrespeitar a cultura e o modo de tocar o barco alheio, mas implantar com argumentos e fatos provando que o melhor é ter um futebol nos moldes do inglês e alemão – hoje as duas ligas mais rentáveis do planeta.

Já vivi o bastante pra ver, ouvir e ler as muitas queixas de todos os lados em relação ao poderio europeu pra tirar jogadores dos continentes mais pobres. Aliás, o famoso “mundo árabe” seguido pelo futebol asiático (Japão, Coréia e hoje, até a China, que banca um dos 5 maiores salários do esporte), têm mais poder aquisitivo do que o Brasil. Embora a economia do futebol brasileiro tenha aumentado demais dos últimos 2 anos pra cá, e o povo, pegando carona na opinião (?) dos jornalistas, se orgulhe de afirmar que os “craques estão voltando” pro país. Craque em final de carreira, pra mim, não conta ponto positivo.

O que importa é que os clubes fazem loucuras pra trazer de volta esses jogadores com idade avançada, apresentam-nos com status de estrelas, fazem jogadas de marketing, mas no final sobram as dívidas de clubes desorganizados. Podemos mencionar o Corinthians como clube que mais se profissionalizou no país. São Paulo, Internacional, Grêmio e Fluminense também contam com uma gestão financeira mais organizada. E não estou falando apenas de não atrasar salários.
Isso até um clube pequeno faz.

A grande mudança sugerida por este interlocutor, está nos bastidores. Está na organização de uma liga com recursos financeiros mais bem divididos e até nas regras do campeonato. Acho um absurdo, por exemplo, uma liga com 38 jogos suspender um jogador por 3 cartões amarelos recebidos. Se for levar em conta o critério de distribuição desses cartões pela arbitragem do país, então… Esse é só mais um exemplo do que pode ser melhorado. Profissionalizar árbitros, bem como treiná-los de uma maneira digna e responsável. Modo de julgamento de atitudes anti-desportivas mais justas e eficazes. Acabar com o tal “efeito suspensivo” que só faz beneficiar o infrator. Pra mim, são apenas poucos dos exemplos do que se pode mudar, tomando como base os conceitos do futebol de sucesso.

Mas o principal, o carro-chefe da mudança, é sem dúvida alguma a do calendário. Globalizar o calendário é o passo pioneiro pra o futebol de um continente começar a se equiparar com outro. Voltando ao início do texto, não estou falando em passar por cima da cultura brasileira. Apenas sugiro isso pra que o futebol brasileiro comece a ganhar contornos de futebol organizado. Como fez a Rússia, que também tinha seu calendário “solar”. Mas se viu obrigada a melhorar. Participando ativamente da janela de transferências como todas as principais ligas européias. Aliás, esse é outro ponto: por que não, regras GERAIS para os mercados de transferências? Por que no futebol brasileiro, somos obrigados a aturar negociações como essa de Ganso? Onde os clubes interessados negociam primeiro com o jogador, pra depois com o clube dono de seu passe? O que também me lembra que só aqui temos empresários donos de passe de jogadores, bem como empresas, grupos de investidores e etc. Por quê?

Por que será que a FIFA não intercede e cria regras mundiais pro futebol em geral? Por que apenas as leis para casos de doping são globais? O futebol também merece uma atenção especial. Não dá pra ser só na Copa que o mundo compartilhe da mesma idéia. Para muitos isso é apenas um puxa-saquismo exagerado ao futebol europeu. Pra mim, é uma forma de querer ser melhor. Não se trata de imitar a cultura deles. Se trata de tomar o que eles têm de melhor como exemplo.

(Por Lucho).

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