A soberana fúria campeã do mundo de 2010

Sempre frequentou a lista dos favoritos em campeonatos de seleções, mesmo sem ter ganhado nada até então. Essa era a Espanha, que só passou a ser “fúria”, de fato, a partir de 2008, quando foi campeã da Eurocopa, disputada na Áustria e Suiça, respectivamente.

O criticado Luis Aragonés era o técnico da seleção. As maiores reivindicações da torcida e dos jornalistas espanhóis era que o time abusava da “enceradeira”. Tocava, tocava, tocava e… tocava. Mas quem falou que futebol precisa ser 100% agressivo e massacrante? No fim das contas, a Espanha venceu a melhor e mais preparada seleção da Alemanha, que tinha uma mescla de jovens jogadores em ascensão e craques consagrados. No fim da Eurocopa, Aragonés deixou o cargo alegando que “não me queriam aqui antes da Eurocopa. Então agora, sendo campeão, eu não quero ficar.”

Pois bem, chega a vez de Vicente del Bosque ser o selecionador espanhol. Aí começa, definitivamente, a hegemonia absoluta da fúria. Como bem observou na Eurocopa de 2008, a Espanha tinha em sua qualidade absoluta o toque de bola e a manutenção da posse da mesma. Então por que não fazer disso uma caracteristica marcante do seu time? Foi o que del Bosque fez. Com o auge absoluto vivido por seu meio campo, o treinador baseou toda sua força na zona central do campo, tendo Xabi Alonso, Busquets, Xavi e Iniesta como espinha dorsal. Por outro lado, Fernando Torres, o herói da Eurocopa, vivia péssimo momento, fazendo o time jogar sem um centroavante de ofício. Pedro e Fábregas, por vezes, faziam a função de último jogador de frente, ou o “falso 9”.

Na primeira formação, a Espanha definitivamente jogou sem atacante. Villa fazia a função terminal e obteve sucesso quando jogou assim, sendo a referência ofensiva.

Como cada jogo é um adversário diferente, algumas seleções da Copa do Mundo obrigaram a Espanha a alterar seu modo de jogar e, sendo assim, Fernando Torres e Llorente passaram a ser selecionáveis.

Com outro jeito de jogar, Iniesta passou a atuar mais aberto, abrindo espaço para Fernando Torres/Llorente, que jogavam mais centralizados. Villa passou a ter mais funções táticas, tendo mais um papel de “garçom”.

Variadas opções impediam qualquer queda de rendimento da Espanha. Após a derrota na estréia, por 0-1, contra a Suiça, na qual foram parados por uma retranca invejável, a fúria venceu seus 6 jogos restantes, incluindo a final, contra a Holanda.

O que era uma crítica, hoje já é algo inquestionável. A Espanha tem em seu toque de bola a sua melhor qualidade e não deve, jamais, deixar de usar suas principais características pra agradar setores da imprensa.

Aliás, além da ganhar a Eurocopa de 2008 e a Copa do Mundo de 2010, a Espanha também foi campeã da Eurocopa de 2012, feito inédito em toda a história do futebol. Essa é, sem dúvida, uma das maiores seleções de futebol de todos os tempos.

(Por Edilson Salgueiro Júnior).

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