Projeto: Argentina 2014

Os sistemas táticos ao longo do tempo vêm ganhando variabilidade e abertura de opções ao treinador e aos próprios jogadores, alguns tratados como “jogadores modernos”, ou seja, que jogam ou se adaptam a diversas posições ou funções. O sistema tático predominante na região ou país pode determinar a formação de uma “safra” de jogadores. Enquanto no Brasil o sistema da moda é o 4-2-3-1 (e na década de 80 e 90, o 3-5-2 e 4-2-2-2), nossos hermanos argentinos adotaram como “modismo” outro ideal. O Teoria FC abordará o sistema tático da moda na Argentina e como tal influencia na formação dos jogadores e consequentemente na preparação para o Mundial 2014.

O sistema da moda na Argentina é o 4-3-1-2, caracterizado pela utilização de três volantes no meio-campo posicionados em um triângulo de base alta seguidos por um enganche. Como todo sistema tático, o sistema 4-3-1-2 é um sistema “flexível”, o qual pode variar para os sistemas 4-2-3-1 (utilizando dois volantes de contenção, liberando o outro volante para se aproximar do enganche e do atacante de movimentação) e também 3-4-1-2 (com o avanço de um dos laterais). No Apertura 2011 na Argentina, campeonato vencido pelo Boca Juniors, o sistema pode ser observado em determinada ocasião por exemplo em: Boca Juniors (que adotou o sistema como principal), Vélez Sarsfield, Belgrano, Racing e Estudiantes.

Exemplo? O trio de volantes do Estudiantes de La Plata seguido do enganche Coria na derrota de 1×0 para o Boca Juniors (22/09/2011):

O sistema 4-3-1-2 conforme já dito é caracterizado pela ação do trio de volantes do meio-campo (que formam um triângulo de base alta) seguidos do enganche. A partir destes quatro jogadores é que existem as variáveis do sistema. Os volantes do sistema costumam serem jogadores que sabem defender e apoiar tanto pelo meio do campo apoiando o enganche no que chamamos de “doble enganche”, como pelos lados do campo, o que definem os chamados carrileros, ou seja, meio-campistas ou volantes com ações de alas. Tal fato pode justificar a baixa formação de laterais com atitudes ofensivas na Argentina, já que tal função pode ser cumprida pelos volantes de lado do campo.

Com base no que foi citado, podem ser concluídos os seguintes fatos: a Argentina produz grande “safra” de volantes e enganches com variabilidade. Não é à toa que no Campeonato Brasileiro 2011 jogadores como Guiñazú, Montillo e D’Alessandro tiveram excelentes números:

  • ·Walter Montillo, enganche do Cruzeiro: 34 partidas, 12 gols, 981 passes e 10 assistências.
  • ·Andrés D’Alessandro, enganche do Internacional de Porto Alegre: 30 partidas, 9 gols, 1280 passes e 9 assistências.
  • ·Pablo Guiñazú, volante do Internacional de Porto Alegre: 30 partidas, 2 gols, 102 desarmes (média de 3,4 por partida).

Tais jogadores fizeram com que o mercado argentino crescesse no Brasil em 2012, principalmente através da contratação de meio-campistas.

E finalmente chegamos à Seleção Argentina. O técnico Sabella é marcado por um perfil de “testar jogadores de acordo com o momento”, o que infere que a Argentina não temerá em realizar testes no setor “frágil” dos defensores/laterais e também no setor que mais oferece nomes à disposição: o meio-campo.

“Me perguntavam pela partida dentro de 15 dias e eu respondia que estava pensando apenas no treinamento do dia seguinte” – Alejandro Sabella, técnico da Seleção Argentina de Futebol.

O sistema base de Sabella de acordo com 2011 é o 4-3-2-1 que varia para 3-4-2-1. A pouca diferença do sistema de Sabella para o 4-3-1-2 citado no decorrer do texto, ocorre nada mais nada menos por causa de Lionel Messi, que realiza a transições de ponta-direito para enganche (no decorrer da partida), ou vice-versa.

Confira alguns nomes que poderão pintar nas próximas convocações da Argentina de acordo com o modismo da “safra produzida” pelo 4-3-1-2:

  • · Javier Mascherano: zagueiro e volante do Barcelona (Espanha)
  • · Fabián Rinaudo: volante do Sporting (Portugal)
  • · Fernando Gago: volante do Valencia (Espanha)
  • · Éver Banega: volante do Valencia (Espanha)
  • · Pablo Guiñazú: volante do Internacional (Brasil)
  • · Mario Bolatti: volante do Internacional (Brasil)
  • · Esteban Cambiasso: volante da Internazionale (Itália)
  • · Rodrigo Braña: volante do Estudiantes (Argentina)
  • · Claudio Yacob: volante do West Brown (Inglaterra)
  • · Ezequiel Cirigliano: volante do River Plate (Argentina)
  • · Héctor Canteros: volante do Villarreal (Espanha)
  • · Diego Perotti: meia-extremo do Sevilla (Espanha)
  • ·Javier Pastore: enganche e carrilero do PSG (França)
  • · Enzo Pérez: carrilero do Benfica (Portugal)
  • · Ricardo Álvarez: enganche e carrilero na Internazionale (Itália)
  • · Jose Sosa: carrilero do Metalist (Ucrânia)
  • · Franco Vázquez: enganche do Palermo (Itália)
  • · Juan Román Riquelme: enganche do Boca Juniors (Argentina)
  • · Lucho González: volante, enganche e carrilero do Porto (Portugal)
  • · Erik Lamela: enganche, carrilero e segundo atacante da Roma (Itália)
  • · Pablo Aimar: enganche do Benfica (Portugal)

 Walter Montillo: enganche do Cruzeiro (Brasil). Dos torcedores da Argentina no Brasil, Montillo é quase unanimidade na preferência para a posição e até para parceria com Lionel Messi.

Argentina 1×1 Bolívia (11/11/11). Mascherano, Gago e Álvarez testados em aproximação ao ponta-direita e enganche na imagem, Lionel Messi

Acredito que dificilmente a Argentina fugirá em demasia das características atuais dos times argentinos, em jogar com dois ou dois volantes/carrileros e um enganche que possibilitem variabilidade à equipe do meio-campo em diante, devido ao alto número de bons jogadores disponíveis e também pela maneira como se adaptam à função, produzindo variabilidade. Um bom exemplo de tal adaptação/variabilidade é o de Héctor Canteros (Vélez Sarsfield) que atuou no empate de Argentina 0×0 Brasil(14/09/11) na primeira partida da Copa Rocca, onde Canteros foi escalado como primeiro volante ao lado de Fernández e Zapata, e por várias vezes era visto com atitudes de enganche.

“Se tenho que escolher entre o resultado e ter a equipe, escolho o resultado” – Alejandro Sabella em entrevista, demonstrando tons que convocará de acordo com o imediatismo, sem temer em realizar testes ou repatriar nomes).

(Por Raphael.)

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