Compacto europeu

Por problemas de comunicação, o TFC ficou sem publicar nesta última sexta-feira (12/10). Pedimos desculpas ao público-leitor.
Contudo, estamos voltando ao “ritmo” normal, e o foco agora são os campeonatos europeus. Vamos a eles:

 

Bundesliga (Alemanha)
Depois de fazer a contratação mais cara do futebol alemão, o Bayern vem fazendo juz ao investido. Assumindo a primeira colocação isolada da competição, o clube de Munique está com 100% de aproveitamento, a 9 pontos do atual campeao, Borussia, que ocupa a quarta colocação.
Quem surpreende até agora é o Frankfurt, que com um elenco sem estrelas mundialmente conhecidas, faz o trabalho em equipe superar a falta delas e o time assume a segunda colocação da tabela.

A artilharia, até o momento, fica por conta de Mandzukic, recém contratado pelo atual líder da competição, marcou 6 vezes.

 

La Liga (Espanha)
Não muito diferente dos anos passados, o Barcelona vem assumindo a primeira posição na tabela, porém, seguido de Atlético de Madrid, que está com o mesmo número de pontos da equipe de Messi. Ambos os times estão a 8 pontos do Real Madrid, atual campeão, que deixou de ganhar alguns pontos muito provavelmente devido a instabilidade no elenco, confusões como a de C. Ronaldo, e a de Ozil com Mourinho.
Málaga, após ser comprado por sheiks árabes, também faz juz ao investimento, assumindo a terceira colocação.

Como de costume, Messi e Ronaldo são os artilheiros do campeonato. Cada um marcou 8 vezes.

 

Ligue 1 (França)
Vocês pensaram que o multimilionário PSG, depois de todos os investimentos feitos, iria ganhar esse campeonato facilmente e de forma invicta e/ou incontestável? Pois é… Eu também. Mas não está sendo bem assim.
O primeiro colocado do campeonato é o Olympique de Marseille, equipe muito bem montada de Elie Baup. Apesar de não estar invicto como o PSG, o time de Marselha está à uma vitória de vantagem sobre ele.
O que surpreende é o fato de Montpellier, atual campeão, estar em 15º lugar, a uma derrota da zona de rebaixamento.

Mesmo seu time estando em segundo lugar, o artilheiro da competição é Ibrahimovic, com 9 gols.


Premier League (Inglaterra)
O atual campeão europeu, Chelsea, parece estar decidido a conquistar a taça da Premier nessa temporada. A equipe de Di Matteo ainda não perdeu e está com a liderança isolada da competição.
O time que contém a taça da temporada 2011/2012, Manchester City, ocupa a terceira colocação, com o mesmo número de pontos do United.
As surpresas ficam por conta de Liverpool e Queens Park Rangers.
O primeiro citado está em 14º lugar, rendimento muito abaixo do que um time tão tradicional como o da terra dos Beatles tem à oferecer.
O QPR é a surpresa mais negativa do campeonato. O time se reforçou bem, tirou jogadores de times grandes, como Internazionale, Chelsea, Manchester United e até Real Madrid, mas em campo, essas figuras não se acertaram, e o time ocupa a lanterna do campeonato, com apenas 2 pontos.

O artilheiro da competição, surpreendentemente não vem de nenhum dos favoritos ao título. Demba Ba, do Newcastle, marcou em 6 oportunidades e é o goleador até agora.

 

Série A (Itália)
A temporada 2011/2012 terminou, mas parece que ninguém avisou isso aos jogadores da Juventus. O time alvinegro segue líder da competição, assim como terminou a temporada passada. Entretanto, Napoli está com o mesmo número de pontos, pois é uma equipe que nos últimos anos tem se acertado cada vez mais, portanto, não é nenhuma surpresa.
Assim como não é surpresa o Milan estar em 11º lugar no campeonato, pois já era um time que vinha se desmontando ha algum tempo, tornou-se um time médio, e no início dessa temporada perdeu seus dois melhores jogadores para o PSG (Thiago Silva e Ibra). A queda de rendimento foi inevitável.

O artilheiro do campeonato, até agora, é o uruguaio Cavani, com 6 gols.

 

Primeira Liga (Portugal)
Por enquanto, nada fugindo do normal. Porto e Benfica estão numa disputa acirrada pela liderança, mas, assim como o fim da temporada passada, o Porto leva vantagem.
Sporting, que terminou o campeonato em 4º lugar na temporada passada, entrou em uma decrescente, e, no momento, está em 12º.

Martinez, do Porto, é o goleador da competição, com 5 marcas.

 

Primeira Liga Russa
Anzhi está investindo forte no seu time desde 2011. Mesmo assim, a ex-equipe do brasileiro Roberto Carlos ainda não tem o título dessa competição. Porém, se o campeonato terminasse hoje, a equipe de Makhachkala levantaria a taça pela primeira vez em sua história, isso porque o time liderado por Samuel Eto’o está na primeira colocação.
O tradicional e atual campeão, Zenit – que conta com Hulk em seu elenco – está na 4ª colocação. Posição não tão boa pra quem é capaz de investir tanto em um só jogador, ainda que seja de elite.

A artilharia conta com a presença de um brasileiro. Danilo Neco, do Alania Vladikavkaz, e Yura Movsisyan, do Krasnodar, são os goleadores do campeonato, até o momento, com 9 gols cada.

Champions League
Dos líderes das chaves, apenas o atual campeão do torneio não ganhou as duas. Chelsea tem o pior aproveitamento, com 4 pontos, enquanto todos os outros, somaram duas vitórias.
City, Real e Borussia, atuais campeões dos respectivos campeonatos dos maiores campeonatos de suas nações, estão na mesma chave. A equipe de Madrid lidera a chave, seguido do time alemão. Manchester City ocupa a terceira colocação.
Zenit surpreende. Com duas derrotas, o time russo não pontuou e a classificação para a próxima fase parece estar bem distante, visto que a outra surpresa do campeonato está em sua chave, e é o Málaga, surpresa positiva no espanhol e na Champions, lidera a chave com duas vitórias.
A maior surpresa de todas, é o BATE Borisov. Liderando a chave com duas vitórias – uma delas sobre o atual vice-campeão da competição, Bayern de Munique – soma seis pontos e está entre os melhores primeiros colocados.

Europa League
Mesmo contando com as presenças inusitadas dos fortes times Internazionale, Liverpool, Lyon e Tottenham, o time que melhor está posicionado na competição é o atual campeão Atlético de Madrid.
Dentre os times citados, tradicionais da Champions League, somente o Lyon vai realmente bem e está em primeiro na sua chave. Inter tem 4 pontos, Liverpool tem 3, e Tottenham empatou os dois jogos.
Napoli, que vai muito bem no campeonato de seu país, não tem o mesmo rendimento na competição continental, ao contrário da equipe russa, Anzhi, que lidera tanto a competição russa (Primeira Liga Russa), quanto a sua chave na Europa League.

Muito bem, leitor (a). Esse foi o compacto mensal de todos os principais campeonatos que rolam na Europa. Será que até o mês que vem muita coisa muda?

(Por Gustavo.)

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Placares “injustos”: Definem campeonato?

Fragmento de uma publicação no site do São Paulo, pós-clássico contra o Corinthians, em 2011. Aos olhos tricolores, o resultado foi “injusto”, pois a equipe tricolor paulista teve mais intensidade e chances de tirar o escore do zero. Entretanto, a partida foi encerrada com o placar intácto.

Quem está acompanhando o Teoria FC, certamente já leu a matéria sobre as “zebras” do futebol. No final da mesma, foi comentado um outro assunto, que, assim como as “zebras”, o público futebolístico também acha que é um fator determinante para o resultado final de um campeonato: os resultados “injustos”. Mas… Será mesmo?

A seguir, o TFC explicará se realmente os escores que, ao ver dos espectadores, não são justos, podem definir um campeonato.

Primeiramente, vamos analisar o significado de “placares “injustos””.

Placares “injustos” são todos os resultados que não condizem com o jogo. Por exemplo: seu time teve 80% de posse de bola durante a partida, passou 70% do tempo pressionando, na zona defensiva do adversário, empilhou chutes a gol, escanteios, faltas perigosas, enfim, jogou muito melhor, ou pelo menos teve muito mais oportunidade de fazer gol do que o adversário, e, no final do jogo, o placar foi de 0x0. Mesmo sendo um time muito intenso durante quase toda duração da partida, o seu time não foi efetivo no ataque, não conseguiu a vitória, e, portanto, foi um placar que não correspondeu com o andamento do jogo.

Agora, será que esses escores finais que não condizem com o resultado do jogo, tem o poder de definir um campeonato? Ao contrário das “zebras”, os resultados “injustos” definem campeonato sim.

Conforme o abordado e comprovado, as “zebras” acontecem com todos os times durante um campeonato, principalmente de pontos corridos. Outra comprovação do fato: o Fluminense, atual líder do Brasileirão, perdeu em casa pro último colocado do campeonato, e também empatou com o Figueirense por 2×2, mesmo tendo aberto 2×0, e, mesmo assim, o tricolor carioca segue líder isolado da competição.

Numa analogia estatística, as “zebras” são resultados “injustos” ao ver das estatísticas e histórico recente de antes pré-partida (qual equipe vem melhor, qual equipe joga em casa, etc). Os resultados “injustos” de fato, são os resultados que não corresponderam com as estatísticas pós-jogo (chutes a gol, maior posse de bola, maior tempo no campo defensivo do adversário, etc).

O fato é que os resultados “injustos” não acontecem com todos os times, e sim com os menos eficientes ofensivamente. Peguemos o exemplo do Fluminense novamente: é um time que, mesmo quando não joga tão bem, consegue ser efetivo, marcando pelo menos um gol na partida, como tem acontecido desde a 14ª rodada, concluindo então, que o time do Rio praticamente não “sofre” resultados “injustos”, e sim “aplica” esses resultados em outros times.

Tendo em vista essa análise, como os resultados “injustos” aparecem apenas para os times menos efetivos ofensivamente, pois num campeonato de pontos corridos só pontua bem quem faz gols, esses placares que não correspondem com o andamento do jogo influenciam no resultado do campeonato, pelo simples fato de que por mais “injusto” que seja, o time “injustiçado” deixa de somar três pontos na tabela.

(Por Gustavo.)

Onde pode chegar o “pobre” Málaga?

Manuel Pellegrini, técnico do Málaga

Era um time médio, simpático e que vivia de altos e baixos. Até o xeque Abdul-lah bin Nasser Al Thani comprar e resolver investir no clube. Nada de promessas irreais, pensamentos absurdos e muito menos gastos abusivos. Tudo parecia caminhar lentamente e de forma adequada, poucos erros e muitos acertos na gestão do árabe.
Em sua primeira temporada como dono do clube, o xeque fez somente uma contratação pontual, mas sem alarde, devido ao pouco tempo que teve para montar o elenco. E claro, sem contar na dificuldade que o Málaga encontrou pra tirar jogadores de nível dos grandes clubes europeus. O meia atacante Júlio Baptista, que estava na Roma, chegou pra ajudar o novo milionário do futebol. Manuel Pellegrini, que já estava no comando antes da chegada do novo dono, foi mantido no cargo e conseguiu livrar o clube do rebaixamento, o que parecia inevitável.

Já em 2011, com crédito e confiança do xeque, Pellegrini recebeu seus “presentes”. Demichelis (Bayern), Toulalan (Lyon), Van Nistelrooy e Mathijsen (Hamburgo), Sergio Sánchez (Sevilla), Joaquín e Isco (Valencia), Buonanotte (River Plate) e Monreal (Osasuna) se juntaram ao clube. Além de Santi Cazorla, principal contratação do clube e pedido especial do treinador.
Um começo turbulento e natural, time se entrosando, algumas lesões e o Málaga transitava, vez outra, entre zona de Europa League e meio de classificação. Porém, nunca foi escondido que a meta do time era participar da Champions League. E conseguiram. Pellegrini conseguiu encaixar suas melhores peças no sistema tático e o Málaga acabou a temporada na 4ª colocação da Liga BBVA, tendo feito 38 jogos, 17 vitórias, 7 empates e 14 derrotas. Ainda desbancou o futuro campeão da Europa League (Atlético de Madrid) e o regular Levante.

Era o começo da ascensão, tudo parecia caminhar bem. A temporada era de afirmação. Começa a temporada e… “boom”. Acabou o dinheiro! O xeque coloca o clube à venda, os recursos diminuem e o Málaga fica sem opções.

Começa 2012. Chegam ao clube Saviola, Roque Santa Cruz, Iturra e Onyewu. Pra quem queria ser um dos melhores clubes da Europa, contratar refugos “quase” sem opção de mercado não é uma boa saída, certo? Nem tanto.

Saviola agregou e muito ao bom e rápido time que tem o Málaga; Isco tem feito excepcionais partidas; Demichelis é a segurança defensiva, Eliseu está em grande fase e Joaquín é consagrado. O time está invicto na Liga BBVA, com 6 jogos, 4 vitórias e 2 empates. Sofreu somente 2 gols. Na liga dos campeões são 2 massacres, ambos por 3-0, sobre Zenit (que se reforçou bem para a atual temporada) e Anderlecht, fora.

Seria pleonasmo dizer que o Málaga é a surpresa da temporada européia. E seria desrespeito não olhar esse time com carinho. Esse começo de temporada é digno e empolgante, devido às dificuldades que o clube passou.

A pergunta é: Onde pode e deve chegar esse Málaga?

 

Projeto: Argentina 2014

Os sistemas táticos ao longo do tempo vêm ganhando variabilidade e abertura de opções ao treinador e aos próprios jogadores, alguns tratados como “jogadores modernos”, ou seja, que jogam ou se adaptam a diversas posições ou funções. O sistema tático predominante na região ou país pode determinar a formação de uma “safra” de jogadores. Enquanto no Brasil o sistema da moda é o 4-2-3-1 (e na década de 80 e 90, o 3-5-2 e 4-2-2-2), nossos hermanos argentinos adotaram como “modismo” outro ideal. O Teoria FC abordará o sistema tático da moda na Argentina e como tal influencia na formação dos jogadores e consequentemente na preparação para o Mundial 2014.

O sistema da moda na Argentina é o 4-3-1-2, caracterizado pela utilização de três volantes no meio-campo posicionados em um triângulo de base alta seguidos por um enganche. Como todo sistema tático, o sistema 4-3-1-2 é um sistema “flexível”, o qual pode variar para os sistemas 4-2-3-1 (utilizando dois volantes de contenção, liberando o outro volante para se aproximar do enganche e do atacante de movimentação) e também 3-4-1-2 (com o avanço de um dos laterais). No Apertura 2011 na Argentina, campeonato vencido pelo Boca Juniors, o sistema pode ser observado em determinada ocasião por exemplo em: Boca Juniors (que adotou o sistema como principal), Vélez Sarsfield, Belgrano, Racing e Estudiantes.

Exemplo? O trio de volantes do Estudiantes de La Plata seguido do enganche Coria na derrota de 1×0 para o Boca Juniors (22/09/2011):

O sistema 4-3-1-2 conforme já dito é caracterizado pela ação do trio de volantes do meio-campo (que formam um triângulo de base alta) seguidos do enganche. A partir destes quatro jogadores é que existem as variáveis do sistema. Os volantes do sistema costumam serem jogadores que sabem defender e apoiar tanto pelo meio do campo apoiando o enganche no que chamamos de “doble enganche”, como pelos lados do campo, o que definem os chamados carrileros, ou seja, meio-campistas ou volantes com ações de alas. Tal fato pode justificar a baixa formação de laterais com atitudes ofensivas na Argentina, já que tal função pode ser cumprida pelos volantes de lado do campo.

Com base no que foi citado, podem ser concluídos os seguintes fatos: a Argentina produz grande “safra” de volantes e enganches com variabilidade. Não é à toa que no Campeonato Brasileiro 2011 jogadores como Guiñazú, Montillo e D’Alessandro tiveram excelentes números:

  • ·Walter Montillo, enganche do Cruzeiro: 34 partidas, 12 gols, 981 passes e 10 assistências.
  • ·Andrés D’Alessandro, enganche do Internacional de Porto Alegre: 30 partidas, 9 gols, 1280 passes e 9 assistências.
  • ·Pablo Guiñazú, volante do Internacional de Porto Alegre: 30 partidas, 2 gols, 102 desarmes (média de 3,4 por partida).

Tais jogadores fizeram com que o mercado argentino crescesse no Brasil em 2012, principalmente através da contratação de meio-campistas.

E finalmente chegamos à Seleção Argentina. O técnico Sabella é marcado por um perfil de “testar jogadores de acordo com o momento”, o que infere que a Argentina não temerá em realizar testes no setor “frágil” dos defensores/laterais e também no setor que mais oferece nomes à disposição: o meio-campo.

“Me perguntavam pela partida dentro de 15 dias e eu respondia que estava pensando apenas no treinamento do dia seguinte” – Alejandro Sabella, técnico da Seleção Argentina de Futebol.

O sistema base de Sabella de acordo com 2011 é o 4-3-2-1 que varia para 3-4-2-1. A pouca diferença do sistema de Sabella para o 4-3-1-2 citado no decorrer do texto, ocorre nada mais nada menos por causa de Lionel Messi, que realiza a transições de ponta-direito para enganche (no decorrer da partida), ou vice-versa.

Confira alguns nomes que poderão pintar nas próximas convocações da Argentina de acordo com o modismo da “safra produzida” pelo 4-3-1-2:

  • · Javier Mascherano: zagueiro e volante do Barcelona (Espanha)
  • · Fabián Rinaudo: volante do Sporting (Portugal)
  • · Fernando Gago: volante do Valencia (Espanha)
  • · Éver Banega: volante do Valencia (Espanha)
  • · Pablo Guiñazú: volante do Internacional (Brasil)
  • · Mario Bolatti: volante do Internacional (Brasil)
  • · Esteban Cambiasso: volante da Internazionale (Itália)
  • · Rodrigo Braña: volante do Estudiantes (Argentina)
  • · Claudio Yacob: volante do West Brown (Inglaterra)
  • · Ezequiel Cirigliano: volante do River Plate (Argentina)
  • · Héctor Canteros: volante do Villarreal (Espanha)
  • · Diego Perotti: meia-extremo do Sevilla (Espanha)
  • ·Javier Pastore: enganche e carrilero do PSG (França)
  • · Enzo Pérez: carrilero do Benfica (Portugal)
  • · Ricardo Álvarez: enganche e carrilero na Internazionale (Itália)
  • · Jose Sosa: carrilero do Metalist (Ucrânia)
  • · Franco Vázquez: enganche do Palermo (Itália)
  • · Juan Román Riquelme: enganche do Boca Juniors (Argentina)
  • · Lucho González: volante, enganche e carrilero do Porto (Portugal)
  • · Erik Lamela: enganche, carrilero e segundo atacante da Roma (Itália)
  • · Pablo Aimar: enganche do Benfica (Portugal)

 Walter Montillo: enganche do Cruzeiro (Brasil). Dos torcedores da Argentina no Brasil, Montillo é quase unanimidade na preferência para a posição e até para parceria com Lionel Messi.

Argentina 1×1 Bolívia (11/11/11). Mascherano, Gago e Álvarez testados em aproximação ao ponta-direita e enganche na imagem, Lionel Messi

Acredito que dificilmente a Argentina fugirá em demasia das características atuais dos times argentinos, em jogar com dois ou dois volantes/carrileros e um enganche que possibilitem variabilidade à equipe do meio-campo em diante, devido ao alto número de bons jogadores disponíveis e também pela maneira como se adaptam à função, produzindo variabilidade. Um bom exemplo de tal adaptação/variabilidade é o de Héctor Canteros (Vélez Sarsfield) que atuou no empate de Argentina 0×0 Brasil(14/09/11) na primeira partida da Copa Rocca, onde Canteros foi escalado como primeiro volante ao lado de Fernández e Zapata, e por várias vezes era visto com atitudes de enganche.

“Se tenho que escolher entre o resultado e ter a equipe, escolho o resultado” – Alejandro Sabella em entrevista, demonstrando tons que convocará de acordo com o imediatismo, sem temer em realizar testes ou repatriar nomes).

(Por Raphael.)

A soberana fúria campeã do mundo de 2010

Sempre frequentou a lista dos favoritos em campeonatos de seleções, mesmo sem ter ganhado nada até então. Essa era a Espanha, que só passou a ser “fúria”, de fato, a partir de 2008, quando foi campeã da Eurocopa, disputada na Áustria e Suiça, respectivamente.

O criticado Luis Aragonés era o técnico da seleção. As maiores reivindicações da torcida e dos jornalistas espanhóis era que o time abusava da “enceradeira”. Tocava, tocava, tocava e… tocava. Mas quem falou que futebol precisa ser 100% agressivo e massacrante? No fim das contas, a Espanha venceu a melhor e mais preparada seleção da Alemanha, que tinha uma mescla de jovens jogadores em ascensão e craques consagrados. No fim da Eurocopa, Aragonés deixou o cargo alegando que “não me queriam aqui antes da Eurocopa. Então agora, sendo campeão, eu não quero ficar.”

Pois bem, chega a vez de Vicente del Bosque ser o selecionador espanhol. Aí começa, definitivamente, a hegemonia absoluta da fúria. Como bem observou na Eurocopa de 2008, a Espanha tinha em sua qualidade absoluta o toque de bola e a manutenção da posse da mesma. Então por que não fazer disso uma caracteristica marcante do seu time? Foi o que del Bosque fez. Com o auge absoluto vivido por seu meio campo, o treinador baseou toda sua força na zona central do campo, tendo Xabi Alonso, Busquets, Xavi e Iniesta como espinha dorsal. Por outro lado, Fernando Torres, o herói da Eurocopa, vivia péssimo momento, fazendo o time jogar sem um centroavante de ofício. Pedro e Fábregas, por vezes, faziam a função de último jogador de frente, ou o “falso 9”.

Na primeira formação, a Espanha definitivamente jogou sem atacante. Villa fazia a função terminal e obteve sucesso quando jogou assim, sendo a referência ofensiva.

Como cada jogo é um adversário diferente, algumas seleções da Copa do Mundo obrigaram a Espanha a alterar seu modo de jogar e, sendo assim, Fernando Torres e Llorente passaram a ser selecionáveis.

Com outro jeito de jogar, Iniesta passou a atuar mais aberto, abrindo espaço para Fernando Torres/Llorente, que jogavam mais centralizados. Villa passou a ter mais funções táticas, tendo mais um papel de “garçom”.

Variadas opções impediam qualquer queda de rendimento da Espanha. Após a derrota na estréia, por 0-1, contra a Suiça, na qual foram parados por uma retranca invejável, a fúria venceu seus 6 jogos restantes, incluindo a final, contra a Holanda.

O que era uma crítica, hoje já é algo inquestionável. A Espanha tem em seu toque de bola a sua melhor qualidade e não deve, jamais, deixar de usar suas principais características pra agradar setores da imprensa.

Aliás, além da ganhar a Eurocopa de 2008 e a Copa do Mundo de 2010, a Espanha também foi campeã da Eurocopa de 2012, feito inédito em toda a história do futebol. Essa é, sem dúvida, uma das maiores seleções de futebol de todos os tempos.

(Por Edilson Salgueiro Júnior).

Respeitem o futebol e suas variadas formas de joga-lo

Olá, caros! Ontem tive problemas de conectividade e não consegui enviar o texto. Sendo assim, passamos para hoje.

Pois bem, vamos falar de futebol?

Alguns surtos tomaram conta do futebol mundial nos últimos tempos. Inclusive alguns treinadores idealistas demais aderiram ao “futebol do momento”.
Recentemente, Pep Guardiola, sua comissão técnica e jogadores fizeram um dos melhores e mais belos times de futebol dos últimos 40 anos. Um Barcelona que jogava o fino da bola. A espinha dorsal do time tinha na defesa a estatura e o ótimo posicionamento de Piqué e a liderança de Carles Puyol; um meio campo formado por, talvez, os melhores jogadores da posição: Xavi e Iniesta. Além da referência ofensiva total e concentrada em Lionel Messi, melhor jogador do século.
Sem contar com Abidal e Daniel Alves servindo como suportes para a manutenção da posse de bola, a aplicação tática e bom passe de Busquets e, na parte terminal, David Villa e Pedro, pontuais jogadores para o esquema catalão.

Tudo isso pra dizer que o foco do post não é o Barcelona.

Sim, esse time foi campeão da Liga dos Campeões por 2 vezes em 4 anos. E vocês lembram pra quais times e sistemas de jogo que esse espetacular time perdeu seu reinado? Pois é, a escorraçada e mal vista retranca. Mas esperem. Quem disse que o futebol do Barcelona é o certo e os de Internazionale e Chelsea são errados? É futebol ou teatro? Enfim, o futebol é o que é não só pelo futebol do Barcelona. Mas também pela inovação tática (ainda na década de 70) feita por Rinus Michels e sua laranja mecânica. Indo mais longe, pelo gênio Karl Rappan e seu ferrolho suiço, em 1938. E por que não falar dos campeões da europa Internazionale e Chelsea? O sistema de jogo e aplicação tática de ambos foram tão eficientes e campeões quanto o do mágico Barcelona. Quem não se impressionou com Eto’o virando lateral esquerdo numa semi final de Liga dos campeões é porque não gosta de futebol, gosta de ballet.

O futebol é muito maior do que o “jogo bonito” ou “jogo feio”. A Holanda de 74 vencendo por 5-0 um jogo com 11 jogadores pressionando e marcando na área adversária e tendo 80% de posse de bola é tão mágico quanto o Sunderland, jogando com 11 jogadores na linha da grande área defensiva e vencendo o Manchester United, em Old Trafford, por 0-1, com gol contra. Qual a diferença? Ambos venceram e fizemos o objetivo do jogo: ganhar.

Isso é o futebol, amigos.

Jornalistas, treinadores e principalmente jogadores preguiçosos devem respeitar o maior evento do mundo. O jornalista precisa entender que não precisa um jogo ter o placar de 4-4 pra ser bom. O treinador deve saber que ele não tem uma máquina de gols na mão, tem um grupo de jogadores que precisa ser encaixado conforme o perfil de seus melhores atletas. O jornalista precisa saber que o Atlético Goianiense não é o Real Madrid, e por isso não joga com linha de 4 ofensiva. O jogador tem que ter a mínima noção tática. Ele precisa marcar e ocupar espaço em campo, mesmo sendo atacante.

O esporte mais fascinante do mundo precisa ser mais respeitado, principalmente pelos que “o amam”. Precisamos pensar se realmente gostamos de futebol. Talvez grande parte da população prefira um teatro, em londres, onde tudo é bonito e bem visto.

Eu acho que prefiro o futebol.

(Por Edilson Salgueiro Júnior).

A globalização no futebol

A globalização sempre foi um assunto que muito chamou minha atenção. O que me era mais interessante na minha visão superficial do tema, era o encurtamento das distâncias e não a ausência de fronteiras, como alguns queriam. É lógico que sou totalmente a favor da valorização e respeito a cada tipo de cultura, e pelo que entendia, não era esse o real objetivo da globalização mundial. Mas entendo também, que a polêmica em torno deste assunto é muito grande, assim como a dificuldade disso acontecer no mundo normal. Mas o que isso tem a ver com o tema desse texto? A seguir vocês entenderão onde quero chegar.

Bom, já que a implantação de um mundo (real) globalizado é tão difícil, acredito eu – e até me importo mais – que um teste poderia ser feito no nosso mundo paralelo que é o do futebol. Se temos uma organização soberana e todas as outras continentais têm de se curvar a ela, por que não tomar como modelo os exemplos de sucesso no futebol? Como disse na introdução sobre o significado mais óbvio de globalização: não precisa desrespeitar a cultura e o modo de tocar o barco alheio, mas implantar com argumentos e fatos provando que o melhor é ter um futebol nos moldes do inglês e alemão – hoje as duas ligas mais rentáveis do planeta.

Já vivi o bastante pra ver, ouvir e ler as muitas queixas de todos os lados em relação ao poderio europeu pra tirar jogadores dos continentes mais pobres. Aliás, o famoso “mundo árabe” seguido pelo futebol asiático (Japão, Coréia e hoje, até a China, que banca um dos 5 maiores salários do esporte), têm mais poder aquisitivo do que o Brasil. Embora a economia do futebol brasileiro tenha aumentado demais dos últimos 2 anos pra cá, e o povo, pegando carona na opinião (?) dos jornalistas, se orgulhe de afirmar que os “craques estão voltando” pro país. Craque em final de carreira, pra mim, não conta ponto positivo.

O que importa é que os clubes fazem loucuras pra trazer de volta esses jogadores com idade avançada, apresentam-nos com status de estrelas, fazem jogadas de marketing, mas no final sobram as dívidas de clubes desorganizados. Podemos mencionar o Corinthians como clube que mais se profissionalizou no país. São Paulo, Internacional, Grêmio e Fluminense também contam com uma gestão financeira mais organizada. E não estou falando apenas de não atrasar salários.
Isso até um clube pequeno faz.

A grande mudança sugerida por este interlocutor, está nos bastidores. Está na organização de uma liga com recursos financeiros mais bem divididos e até nas regras do campeonato. Acho um absurdo, por exemplo, uma liga com 38 jogos suspender um jogador por 3 cartões amarelos recebidos. Se for levar em conta o critério de distribuição desses cartões pela arbitragem do país, então… Esse é só mais um exemplo do que pode ser melhorado. Profissionalizar árbitros, bem como treiná-los de uma maneira digna e responsável. Modo de julgamento de atitudes anti-desportivas mais justas e eficazes. Acabar com o tal “efeito suspensivo” que só faz beneficiar o infrator. Pra mim, são apenas poucos dos exemplos do que se pode mudar, tomando como base os conceitos do futebol de sucesso.

Mas o principal, o carro-chefe da mudança, é sem dúvida alguma a do calendário. Globalizar o calendário é o passo pioneiro pra o futebol de um continente começar a se equiparar com outro. Voltando ao início do texto, não estou falando em passar por cima da cultura brasileira. Apenas sugiro isso pra que o futebol brasileiro comece a ganhar contornos de futebol organizado. Como fez a Rússia, que também tinha seu calendário “solar”. Mas se viu obrigada a melhorar. Participando ativamente da janela de transferências como todas as principais ligas européias. Aliás, esse é outro ponto: por que não, regras GERAIS para os mercados de transferências? Por que no futebol brasileiro, somos obrigados a aturar negociações como essa de Ganso? Onde os clubes interessados negociam primeiro com o jogador, pra depois com o clube dono de seu passe? O que também me lembra que só aqui temos empresários donos de passe de jogadores, bem como empresas, grupos de investidores e etc. Por quê?

Por que será que a FIFA não intercede e cria regras mundiais pro futebol em geral? Por que apenas as leis para casos de doping são globais? O futebol também merece uma atenção especial. Não dá pra ser só na Copa que o mundo compartilhe da mesma idéia. Para muitos isso é apenas um puxa-saquismo exagerado ao futebol europeu. Pra mim, é uma forma de querer ser melhor. Não se trata de imitar a cultura deles. Se trata de tomar o que eles têm de melhor como exemplo.

(Por Lucho).