O verão europeu

Não sei dizer se isso é uma regra pra todos os amantes do futebol, mas pra esse que vos escreve, o período que vai do final de uma temporada e adentra o início de uma outra é um dos mais interessantes do futebol.
Mais precisamente falando, este período que vai do 1º dia do mês de junho
até o último do mês de agosto, e se chama Janela de Transferências de Verão.
Claro, não é tão legal como as retas finais dos torneios, mas também nos faz criar
expectativa sobre suas mudanças.

Depois de alguns anos sem muita mudança drástica, tivemos um período bastante movimentado nessa janela. Considero que a última janela tão interessante quanto essa foi a de 09-10, quando Florentino Pérez trouxe de volta a era galática ao Real Madrid, com as chegadas de Kaká e Cristiano Ronaldo. Passamos duas janelas sem negócios muito chamativos, e esse ano tivemos transações bombásticas. Daquelas que despertam ira e empolgação com a mesma intensidade.

Vamos analisar as principais por país.

– Inglaterra

Não há dúvidas que a contratação de Robin van Persie foi a negociação mais polêmica,
não só deste mercado, como dos últimos anos. Além de ter sido artilheiro da maior liga do mundo na temporada anterior, van Persie era o craque e capitão do Arsenal. Eram 8 temporadas com a tradicional camisa Gunner. Mas a falta de ambição de Wenger – sempre com mercados muito modestos – fizeram o jogador preferir títulos à idolatria da maior torcida de Londres. No United, ele sabe que sua possibilidade de conquistar troféus é muito maior, e não hesitou em ir pra um dos maiores rivais do clube londrino. Resultado: milhões de protestos pelo mundo e uma fama que poucos aceitam
ter. Por isso mesmo, a ótima chegada do melhor jogador das últimas Bundesligas, o japonês Shinji Kagawa à Old Traford ficou em segundo plano.

Mas o mercado inglês não ficou resumido à ida de Van Persie para o Manchester United. Contratações pontuais para os candidatos ao título também foram firmadas. O City, atual campeão e com ambições ainda maiores, foi estranhamente tímido – o que irritou Roberto Mancini – mas quando se mexeu, foi certeiro: Rodwell, capitão das seleções de base do English Team e ótima revelação do Everton chegou para fazer sombra ao experiente Gareth Barry. Enquanto um dos destaques da ótima campanha do Swansea
na temporada passada, Scott Sinclair, também desembarcou no City of Manchester Stadium pra substituir Silva ou Nasri, eventualmente. No apagar das luzes, Javi García, volante do Benfica e Maicon, da Inter, chegaram ao clube que teve poucas perdas lamentadas nessa janela. Manteve a base e vai brigar também pela Champions
League.

Falando no torneio, o atual campeão continental também foi bem no mercado. Inclusive venceu disputa com Man Utd e City por bons reforços que, de quebra, renovaram seu envelhecido elenco. Drogba foi a perda mais significativa, mas foi bem reposta por Hazard – melhor jogador das últimas edições da Ligue 1 – e o meia brasileiro Oscar, titular da atual seleção brasileira e que herdou a lendária camisa 11 do ídolo marfinense. Se juntam a Azpilicueta para fortalecer e diminuir a média de idade dos Blues.
Lembrando que o clube também perdeu Salomon Kalou (Lille-FRA), Raúl Meireles (Fenerbahçe-TUR) e Essien (Real Madrid-ESP), jogadores que já figuraram muito tempo entre os titulares de Stamford Bridge.

Já Arsenal e Liverpool tentam se reerguer das fracas últimas campanhas. Arsenal já havia se mexido bem (pros seus padrões) e trazido o artilheiro do Francesão, o francês Olivier Giroud, do Montpellier, campeão da L1; assim como já estava acertado com Lukas Podolski, que enfim, aceitou sair do Köln depois de ver seu clube de coração cair para a 2ª divisão alemã. Duas belas contratações, que foram somadas à melhor delas: a chegada de Santiago Cazorla, do empobrecido Málaga-ESP. O espanhol tem sido
o destaque do time nesses primeiros meses de vida pós-van Persie. Já o Liverpool amarga o pior início de temporada de sua história. Trouxe o treinador do Swansea, surpresa da última Premier League, Brendan Rodgers, mas que ainda não conseguiu implantar seu estilo em Anfield. Apesar de ter feito mercado sem grandes contratações, fechou negócios que condizem com o perfil de quem quer voltar a figurar entre os grandes. Contratações boas e boratas, como o atacante Borini (ex Roma-ITA) que pode fazer boa parceria com Suárez; e o ótimo meia turco Nuri Sahín, que despontou no Dortmund mas não teve oportunidades no Real Madrid.
Além disso, conta com as voltas de Joe Cole depois de empréstimo ao futebol francês, mas ainda deposita sua confiança no que seu ídolo máximo e capitão Steven Gerrard ainda pode fazer. Muito pouco pra história dos Reds.

E o clube que mais se reforçou nessa janela do futebol inglês, o Tottenham, tenta construir novos horizontes com perdas tão importantes quanto chegadas. Saíram, um atrás do outro, primeiro o técnico Harry Redknapp, depois Modric, que forçou até o fim sua saída para o Real Madrid e por último van der Vaart.
Três dos maiores responsáveis pelas duas campanhas que puseram os Spurs na zona da UCL – o Big Four – do campeonato inglês. Só ficou Gareth Bale, craque do time e que resistiu às investidas dos rivais graças a um contratado melhorado pelo mandatário do clube de White Hart Lane. Chegaram Verthongen, Sigurdsson, Dembélé, Dempsey e Lloris. Todos eles terão funções importantíssimas que são de substituir jogadoresimportantes no desmanche do Tottenham. Mas que é importante lembrar: será um novo time que André Villas-Boas terá a missão de montar.

Outros negócios de destaque foram a chegada do goleiro Júlio César ao QPR depois de quase uma década e muita história pela Internazionale. Além da volta de Berbatov a Londres, só que agora para defender o Fulham. Lembrando que Berba chegou a acertar sua ida à Fiorentina, mas desistiu no meio da viagem, o que gerou constrangimento entre as partes e muita ira em Florenza.

– ESPANHA

Como sempre, os destaques na Espanha ficam por conta de Real Madrid ou Barcelona. Pelo lado da capital, como sempre o gasto é maior. E Luka Modric encabeça a lista das contratações mais caras da temporada. Chegou junto com Essien pra aumentar mais ainda a novela da saída de Kaká do clube. Apenas Granero e Sahín deixaram os merengues, nada que faça falta com essas chegadas.

Já o Barcelona, como de costume, não perde muita coisa e sempre vai repondo e tentando consertar seus defeitos.
Song, 7º jogador a ir do Arsenal à Catalunha na história, chega para brigar diretamente com Sérgio Busquets. Além dele, Jordi Alba chega para disputar com Adriano a lateral-esquerda, com a leve vantagem de ser titular da seleção e ter muito entrosamento com os craques espanhóis do time.

Outro destaque vai pro Málaga, que perdeu seu investidor do dia pra noite, e literalmente desmontou sua equipe.
Vendeu quem pôde e trouxe jogadores que pra muitos já não têm lenha pra queimar. Saviola e Roque Santa Cruz chegaram pra comandar o ataque do clube comandado pelo chileno Manuel Pellegrini.

– ALEMANHA

O atual campeão já começou bem a temporada com seu maior reforço. Marco Reus foi anunciado mesmo antes da temporada acabar, como maior contratação da história do BVB. A saída de Kagawa era questão de tempo, e repuseram bem.
Fora essas duas mudanças, chegou a haver um princípio de imbróglio entre o clube e seu artilheiro Lewandowski depois do anúncio de interesse de alguns clubes. Mas o tempo passou e a coisa esfriou.

O Bayern, disposto a encerrar o começo de hegemonia do Dortmund, se mexeu e foi cirúrgico. Trouxe o ótimo centro-avante croata Mandzukic, que já vai fazendo seus gols na ausência de Mário Gomez e parece já ter entrosamento suficiente com Ribéry, Robben, Müller e cia. Trouxe também o bom zagueiro Dante, que fez ótimas temporadas com o Gladbach e chega pra ser titular da contestada defesa dos bávaros.
De quebra, fez a maior contratação da história do futebol alemão: Javi Martínez, pérola basca, fez o que podia pra sair do Atlethic. Com muitos interessados, preferiu o Bayern e chega com moral pra fazer dupla com o sensacional Schweinsteiger. Pode jogar na zaga também, o que dá um trunfo a mais para Jüpp Heinckes. Destaque também pra saída de Raúl do Schalke e a volta de Diego ao Wolfsburg, depois de muita confusão com Felix Magäth.

– ITÁLIA

O futebol italiano vive a decadência financeira que o faz perder a cada dia índice no ranking da UEFA.
Pra piorar, os maiores clubes não conseguem disputar mais as grandes contratações com ingleses, espanhóis e alemães. As atenções dos jogadores agora estão voltadas a esses pólos e aos novos ricos de ligas menores.

Dentro desse contexto, Milan, Internazionale e Roma se reforçaram como puderam. Mas todos eles com mais perdas importantes do que chegadas. Na Inter, além do destaque do gol da Udinese, o sérvio Handanovic,Cassano, Palacio e Coutinho – voltando de empréstimo – tentam dar novo ritmo ao clube. Stramaccioni foi mantido no cargo e a expectativa é que o clube volte à Liga dos Campeões, que só conta com 3 vagas para a Série A italiana.
Ídolos como Maicon e Júlio César já saíram de graça(!) devido aos seus altos salários.

O Milan é outro que gigante que tem seu pior começo de temporada. Ainda não venceu, nem no Calcio e nem na UCL.
Com as perdas que teve (Ibrahimovic, Thiago Silva e Seedorf), além de quase nunca poder contar com Pato, e as contratações que o clube fez, sua meta é de no máximo continuar entre os clubes que vão à Champions ano que vem.
A responsabilidade ficou com Boateng, que virou o 10 do time, e Pazzini, que assume a vaga de Ibra. Ele foi trocado por Cassano com a Inter. Boján chega por empréstimo da Roma, pra reserva imediata do ataque.

A Juventus é o único italiano com mais poder aquisitivo no momento. Mas também não fez grandes, mas sim, pontuais contratações. Bendtner chegou pra ser o homem-referência que Conte queria. Pogba, revelação do Manchester United, chegou a Turim pra ser lançado aos poucos. Mas o destaque mesmo ficou por conta da punição ao técnico Antonio Conte por envolvimento com apostas, e claro, da saída anunciada de Alessandro Del Piero, lenda do clube que foi se aventurar no futebol australiano.

GERAL:

Curiosamente, os demais (e maiores) destaques da janela de transferências ficou a cargo das ligas “periféricas”.
O mais novo rico do futebol mundial, PSG, promoveu uma verdadeira limpeza de bons jogadores na Itália.
Ezequiel Lavezzi, do Napoli, além de Ibrahimovic e Thiago Silva, do Milan, foram para o time de Paris.
Há duas temporadas o time de Paris não vem medindo esforços para fazer seu time chegar ao nível dos grandes do futebol europeu.
Mais de 200 milhões de euros já foram gastos essa temporada. O que gerou polêmica entre dirigentes italianos que questionaram o uso do fair-play financeiro pelo clube francês.

Além disso, a maior contratação desta janela – além de maior contratação envolvendo um jogador brasileiro – foi feita pelo Zenit. O clube russo mexeu nos cofres e pagou os 50 milhões (que o Chelsea não quis pagar) ao Porto, pelos serviços do atacante Hulk. Bom reforço pra o clube que quer ir além do que já foi na Liga dos Campeões.

Esse foi um breve balanço do que aconteceu de mais interessante nesta janela. Obviamente alguma contratação ou saída foi esquecida. Mas conto com vocês pra apontar os erros e ajudarnos a corrigir. Abraço a todos e ótima temporada de futebol!

(Por Lucho).

Temporada tem cenário madridista

Real Madrid Club de Fútbol. Esse é o time para qual está desenhado, com contornos fortes, o grande e maior favoritismo para a temporada Européia 2012/2013. Se precisa de argumentação, o Teoria FC mostra, com convicção, o porque disso.

O clube da capital espanhola é comandado há 2 temporadas (iniciando a terceira agora) pelo até então treinador José Mourinho. Em sua primeira temporada, os madridistas não conseguiram bater o favorito e forte Barcelona de Pep Guardiola. Foram eliminados pelos catalães na Champions League (0-2 em pleno Santiago Bernabéu e 1-1 no Camp Nou), além de terem perdido o campeonato espanhol. Mesmo assim, o Real Madrid ainda conseguiu vence-los na final da “Copa do Rey”, por 1-0, gol de Cristiano Ronaldo. É muita coisa ? Não, mas é o começo da queda do trono catalão, visto que o Barcelona vencia a Liga havia 3 temporadas seguidas, além da Champions League (2 de 3 disputadas).

Na segunda temporada de “Special One” no comando merengue, o Real Madrid ganhou força. Reforçado, mais centrado e entrosado, o clube fez uma temporada muito melhor e ficou bem perto de conseguir o objetivo maior, que era ganhar a Champions League. O título do Liga espanhola veio com autoridade, tendo, em determinado momento, aberto 8 pontos para o maior rival e vice lider Barcelona. O “troco” veio na Copa del Rey, quando os catalães venceram num agregado de 4-3, eliminando o “mistão” do Real Madrid, que focara suas forças na competição continental do ano.

Usando o 4-2-3-1 habitual, com Khedira, Xabi Alonso, Dí Maria, Ozil, Ronaldo e Benzema, o Real Madrid parou no sempre forte Bayern de Munique, na semi final. Assim como o Barcelona, que parou no Chelsea, campeão da edição.

No primeiro revés para Mourinho/Real Madrid, Guardiola deixou o Barcelona. Mourinho ficou. O que o faz, juntamente com seu clube, serem os grandes favoritos a conquistas e títulos na temporada 2012/2013. Na Supercopa da Espanha, onde se enfrentam os campeões da Copa del Rey e da Liga espanhola da temporada anterior, o Real Madrid venceu o Barcelona, agora de Tito Vilanova.

Nessa janela de transferências chegaram Modric, armador, ex-Tottenham e o volante Essien, ex-Chelsea e de extrema confiança do treinador José Mourinho.

O técnico português nunca precisou de mais de 3 temporadas para vencer a Champions League e conseguir a hegemonia mundial com seus clubes, exceto no Chelsea, na qual não terminou uma delas, sendo demitido do cargo pelo dono do clube, Roman Abramovich.

Com mais opções, entrosamento, foco e a bagagem de 1 título espanhol, 1 Copa del Rey e 1 Supercopa da Espanha, todos diante de seu maior rival, o atual semi finalista da Champions League, Real Madrid, ganha força e é, sem dúvidas, um dos, se não o maior favorito aos títulos da atual temporada da Europa.

Eu vou esperar pra ver, e você ?

(Por Edilson Salgueiro Júnior).

Análise do movimentadíssimo mercado Europeu

A janela de transferências europeia foi encerrada nos seus principais ”centros” no dia 31 de Agosto. Campeonatos como o Russo ainda tiveram mais uma semana de janela. Aqui, trarei-lhes o que aconteceu de principal no badalado mercado europeu. Os grandes investimentos, as contratações baratas e inteligentes, os gastos bizarros e desnecessários, tudo de principal que se passou.

Começando pelo sempre movimentadíssimo mercado inglês, o Manchester City, atual campeão da Premier League, não gastou como de costume. A quantia gasta pelos Citizens não chega nem perto do que o clube já investiu em contratações nas temporadas recentes. O lateral-direito Maicon, ex-Internazionale, chegou no final da janela por um valor baixo, porém, não divulgado. Roberto Mancini acertou em cheio na contratação do ex-lateral da seleção Brasileira, pois adiciona qualidade e profundidade a uma posição que a equipe sempre teve alguns problemas. Maicon será um upgrade imenso em relação a Zabaleta e ao zagueiro que fazia a função na direita de forma improvisada, Micah Richards. A adaptação a liga deve ser rápida e ele deve ter sucesso, devido a sua força e características bem balanceadas de ataque e defesa.

O principal rival ao título do City também contratou muito bem. O Manchester United teve como principais chegadas a vinda do meia-atacante Shinji Kagawa, vindo do Borussia Dortmund e do matador Robin van Persie, que chegou do rival Arsenal. Kagawa deve se encaixar bem no esquema de Alex Ferguson, provavelmente vindo a atuar atrás de RVP, ou aberto pelas pontas. O japonês obteve muito destaque no Campeonato Alemão, onde foi uma das principais armas no bicampeonato do Borussia Dortmund. Sua agilidade e alta criatividade devem lhe tornar titular em breve nos Red Devils. A outra contratação dispensa comentários. O holandês van Persie tem absurdos 59 gols nas últimas duas temporadas, sendo 48 pela Premier League (30 na última, onde foi artilheiro isolado). Sua canhota e imensa habilidade de fazer gols com certeza serão bem-vindas em Old Trafford, onde ele finalmente poderá brigar por títulos.

Outro possível candidato ao título inglês é o Chelsea, que agora conta com a sensação belga Eden Hazard e o jovem meia criador brasileiro, Oscar. Após várias temporadas de destaque no futebol francês, Hazard chega no Chelsea para provar de vez o seu nível. O jovem e habilidoso ponta será titular absoluto no time de Roberto Di Matteo. Com toda sua velocidade, poder de criação e finalização, Hazard com certeza será um destaque positivo nessa temporada. Já Oscar pode levar um pouco mais de tempo para destacar-se e acostumar-se com o forte ritmo inglês. Entrando aos poucos e se entrosando com os companheiros, logo pode assumir uma vaga no meio campo dos Blues. Seu refinado toque de bola e visão de jogo deverá render muitas assistências para o meia brasileiro. Fernando Torres agradece, e muito, a chegada desses dois novos jogadores. Não vão faltar chances criadas para o espanhol fazer muitos e muitos gols.

Outro clube londrino que se reforçou bem foi o Tottenham Hotspur. Apesar da perda de Luka Modric para o futebol espanhol, o clube londrino fez bom uso do dinheiro recebido na venda do croata. Os Spurs acertaram com o ótimo goleiro francês Hugo Lloris, capitão da seleção francesa e destaque no Lyon por várias temporadas. Lloris deve tomar a vaga do experiente Brad Friedel em breve. Também para o setor defensivo, veio o zagueiro belga Jan Vertonghen. Um ótimo zagueiro, que veio por um valor baixo, tenho em vista sua qualidade. Vertonghen é canhoto, tem uma saída de bola boa, bate bem para o gol e por vezes sobe ao ataque, em jogadas de toque rápido. Definitivamente se destacará na Premier League. O principal rival dos Spurs, o Arsenal, perderam seu principal jogador em Robin van Persie, mas conseguiram “repor” sua falta com a chegada de Lukas Podolski e Santi Cazorla. O canhoto alemão deve ser a principal referência ofensiva dos Gunners e deve formar uma boa dupla com o espanhol Cazorla. Duas contratações que não receberam tanto destaque, mas que devem fazer sucesso na Inglaterra.

Os gigantes espanhóis não se movimentaram tanto nesta janela. O Real Madrid teve como sua principal contratação a chegada de Luka Modric. O pequeno meia croata forçou a saída do futebol inglês e deve fazer sucesso imediato na Espanha. Seu estilo inteligente, toque de bola curto e eficiente, além de seu alto poder de criação de gols com certeza representarão uma pequena melhora no já ótimo time de Madrid. O Barcelona, principal rival dos Madrilenhos na disputa ao título, reforçaram sua lateral-esquerda com a chegada do espanhol Jordi Alba. O setor que tinha alguns problemas há algum tempo, melhora muito com a chegada de Jordi. Um lateral rápido e ofensivo, com características de jogo que combinam muito com o Barça. Outro que chegou foi Alexander Song, vindo do Arsenal. O volante que tem ótima saída de jogo e chegada ao ataque, é outro que se encaixará perfeitamente no quebra-cabeças do Barcelona. É o estilo perfeito de médio-central para atuar na equipe.

E o PSG ? Os sheiks ficaram loucos! Em uma janela só, acertaram com Ibrahimovic, Lavezzi e Thiago Silva. 3 craques do futebol mundial. O time que já era bom, agora da um salto gigantesco no seu nível e deve almejar sucesso nas competições europeias. O título francês se torna praticamente uma obrigação para Carlo Ancellotti, técnico da equipe. Além da chegada do matador sueco, do habilidoso ponta argentino e do, considerado por muitos, o melhor zagueiro da atualidade, os franceses também acertaram com o ótimo lateral-direito Gregory van der Wiel, que chega para ser titular absoluto no lugar de Jallet. Não bastassem essas contratações, o time de Paris também acertou com o jovem craque do São Paulo, Lucas. O valor ? 108 milhões de reais, algo em torno de 45 milhões de euros. O brasileiro, no entanto, chega ao clube apenas em Janeiro. Totalizando todas as contratações da janela, os franceses gastaram cerca de 148 milhões de euros (cerca de R$ 370 milhões).

Chegamos a Alemanha. O campeão Borussia Dortmund teve como principal reforço a chegada de Marco Reus. O atacante, um dos destaques do futebol alemão na última temporada pelo Borussia Mönchengladbach, repõem a saída de Shinji Kagawa. Ou seja, os atuais campeões da Bundesliga mantém o nível e devem brigar por mais um título alemão nessa temporada. Seu principal rival, os bávaros do Bayern de Munique, tiveram como principal contratação um dos destaques da última Eurocopa, o atacante croata Mario Mandzukic. Jogador forte, com boa velocidade e finalização. Ve para ser titular ao lado de Thomas Muller no ataque da equipe. Para alguns, uma aposta, já que Mandzukic nunca teve ótimas temporadas pelos clubes em que passou anteriormente. Outro que chega é o volante espanhol Javí Martínez, por cerca de 40 milhões de euros. Um ótimo jogador, mas será que vale todo o montante que foi investido em sua contratação ? Ainda assim adicionará muita marcação ao meio de campo do Bayern, além de uma boa saída de bola e ótima visão de jogo.

No futebol italiano, tivemos um mercado pouco movimentado e com a chegada de nomes pouco expressivos. Na Inter, o lateral-esquerdo uruguaio Alvaro Pereira chegou do Porto. Em uma posição bem deficiente e com problemas, Alvaro deve ser a solução instantânea para a Internazionale.  Antonio Cassano trocou o rival Milan pela Inter. Deve ser titular, porém, não deve adicionar tanto a equipe. No entanto, é um bom jogador e só o tempo dirá se foi ou não uma boa contratação. O Milan, por sua vez, trouxe o atacante Pazzini do seu principal rival. Este deve acrescentar mais ao ataque da equipe rubro-negra. Sua habilidade de fazer gols e ótimo posicionamento irá ajudar o fraco ataque do Milan, que contou com a saída de Ibrahimovic e tem o sempre machucado Alexandre Pato como principal nome. Nigel de Jong chegou também para suprir a saída de seu compatriota Mark van Bommel. Volante de muita pegada e raçudo, fará o “serviço sujo” no meio de campo dos italianos.

Para finalizar, duas contratações que chocaram muitas pessoas. Primeiramente, o Zenit contratou o atacante brasileiro Hulk, por um exorbitante valor de 60 milhões de euros. Não bastasse esta loucura, no mesmo dia os russos investiram mais 40 milhões de euros no volante belga Axel Witsel. São bons jogadores ? Sim. Mas a pergunta é: 100 milhões de euros ? Um bom jogador, rápido e forte, porém que só tem perna esquerda. E disputa o fraquíssimo campeonato português. Outro, um volante bom, rápido, com boa chegada ao ataque, porém, é um pouco cabeça quente, temperamental em campo. Também disputa o fraco campeonato português.

Saldo geral do mercado ? Os times ingleses, como sempre, realizando boas compras. Os espanhóis compraram pouco, mas bem. Pouco investimento na Alemanha e na Itália. E os sheiks ? O do PSG ainda tem um pouco de sanidade mental, mas o do Zenit, rapaz…

(Por Matheus Puk).

Procura-se camisa 10 clássico

Desde tempos atrás, sempre fomos exportadores de grandes craques. De todas as posições, de diferentes características, de diferentes temperamentos… E o que não faltam são exemplos.

Mas o que nunca nos faltou foi o camisa 10. O que se diferenciava de todos no meio-de-campo. O que era capaz de colocar a bola embaixo do braço e chamar a responsabilidade pra si, e que em qualquer momento do jogo, em apenas um lance, decidia a partida. Pois é, pelo menos até há pouco tempo. Porque ultimamente, a safra brasileira sofre com a falta do diferenciado.

Um dos primeiros jogadores a vestir a 10 foi Jair Rosa Pinto. O ponta foi o primeiro a vestir a camisa 10 do Brasil em uma Copa do Mundo, e mesmo sendo um jogador que atuasse em um setor que não se costumava jogar o cerebral, se destacou pela inteligência dentro de jogo.

Oito anos depois, vinha o mais famoso de todos os tempos. Na Copa da Suécia em 1958, por um acaso, para Édson Arantes do Nascimento caiu a camisa 10. E não poderia ter melhor para vesti-la. Completo, aliava todas as habilidades de um craque. Não necessita de mais apresentações.

E foi começando a partir desta época e destes jogadores, que vários outros craques
começaram a surgir no setor. Uma prova disso é que no tri de 70, o velho Lobo Zagallo,
montou seu setor ofensivo com 5 camisas 10: Gérson, Pelé, Rivelino, Tostão e Jairzinho.

Além destes, e passando pelos anos 70 e 80, Ademir da Guia, Paulo César Carpegiani, Dirceu Lopes, Zico e Dr. Sócrates eram outros jogadores de extrema classe no setor.

Mas especialmente na seleção brasileira, na Copa do Mundo de 1990, o camisa 10 começou a faltar. Na seleção de Lazaroni, além do ‘’estranho’’ 3-5-2, nunca adotado antes no Brasil, a ausência do armador foi uma questão relevante que se mostrou extremamente decisiva, visto que na copa a criação foi a maior carência.

4 anos passados, e o Brasil ganhava mais um Copa. Após 24 anos sem título, o chute de Baggio deu o tetra à seleção. Mas ainda na escalação, a falta do 10 ainda existia. Parreira levou o bi-campeão da América e mundial, Raí, mas não conseguiu ir bem. Mesmo tendo êxito no Mundial, a seleção ficou conhecida também pelo pragmatismo no seu estilo, tendo o decisivo Romário no ataque.

Já em 1998, Rivaldo completou o setor. Rei em Barcelona, eleito o melhor jogador do mundo, junto com Bebeto e Ronaldo levaram a seleção até a final contra a França até o fatídico 3×0 com show de Zinedine Zidane.

Com Felipão, em 2002, o 3-5-2 voltou. Mas diferentemente com Lazaroni, o esquema teve mais mobilidade no meio-de-campo. E isso ajudou muito o único meio-campista de criação dentre os 5 no setor, Ronaldinho Gaúcho, que também tinha uma bela visão de jogo, mas se destaca mais pelo drible, ginga e velocidade.

E a partir desta época, os 10’s ficaram cada vez mais escassos. O futebol brasileiro ficou
muito mais corrido do que pensado o que influenciou diretamente nos desempenhos de copa do mundo. E sendo assim, o que exportávamos, começamos a comprar. Então, os clubes braisleiros começaram a ir atrás de jogadores deste tipo na Argentina, Uruguai, Chile e pelos outros países.

Petkovic, Valdivia, Montillo, Conca e D’Alessandro foram vistos como alternativa para suprir o que já fomos referência décadas atrás.

Ganso e Oscar surgiram como promessas para suprir o vácuo. Será que surgem mais?

(Por Gustavo Dias).

Representantes celestes na Sulamericana

Há exato um mês a Copa Sul-Americana foi iniciada. Países de toda a América do Sul participam da segunda maior competição do futebol sul-americano para em dezembro, garantirem uma taça em sua sala de troféu e de brinde uma “vaguinha” na Copa Libertadores da América.

Hoje, neste post, os focos serão os times uruguaios classificados para esta competição e uma breve análise de seus jogos e participações.

Mas antes irei explicar rapidamente como eles chegaram até lá.

Para a Copa Sul-Americana, o Uruguai tem 4 vagas. E nessas 4 vagas entram o campeão e os times que ficaram em 4º, 5º, e 6º lugares na Classificação Geral, que soma os pontos dos times no Apertura, disputado no último semestre do ano anterior em relação a competição, e no Clausura, jogado no primeiro semestre do campeonato. O campeão do país, que consequentemente é o líder da classificação tem direito a jogar a Sul-Americana do mesmo ano e a Libertadores do ano seguinte.

Explicado isto, vamos ao que interessa:

A primeira equipe a entrar em campo na Copa Sul-Americana foi o Danubio. Sexto colocada na classificação geral, enfrentou o Olimpia, grande equipe paraguaia.

No primeiro jogo, “os franjas”, como é apelidado, jogaram no estádio de Defensor Sporting, o Luis Franzini, e ao contrário do que se pensava, foi muito superior ao time guaraní.

Com uma trinca de volantes bem reforçada e deixando o recém-contratado do Rampla Juniors e cria da base, Richard Nuñez, armando o jogo, além do rápido e habilidoso Leonardo Melazzi saindo pelos lados do campo, o Danubio conseguiu criar boas oportunidades de gols.

A estreia da competição logo no dia seguinte foi do Liverpool. Lutando praticamente até o final do Clausura para ser campeão, sofreu com várias baixas de jogadores importantes e considerados titulares.

A exemplo do Danubio, jogou no Uruguai e no mesmo estádio. E no jogo de ida conseguiu um resultado muito bom que já o deixou com praticamente os dois pés na próxima fase.

O adversário do clube negriazul foi o boliviano Universitario de Sucre, vice-campeão do torneio Apertura. Mas pelo que se viu em jogo, o time não merecia tal posto. Desde o início do jogo o Liverpool mandou na partida e no primeiro tempo fez o resultado que precisava para não passar dificuldade no jogo da ida.

O destaque da partida foi o atacante Carlos Nuñez, que assim como melazzi para o Dan ubio, foi extremamente decisivo com suas decidas pelas pontas do ataque. Além dele, o enganche Paulo Pezzolano, principal reforço da equipe, também jogou bem.

Ao contrário dos franjas, que tinham a característica de que seus volantes defendessem mais do que apoiassem, o Liverpool sempre tinha os jogadores de meio-de-campo ajudando no apoio. Carlos Macchi foi um elemento surpresa pelo lado esquerdo do campo, o que auxiliou a criação de Pezzolano também.

No jogo de volta, o Liverpool não foi tão bem, muito pelo fator de já ter garantido uma vitória muito convincente em casa, e também, pelo jogo ser disputado há 2600 metros de altura. O time chegou a levar um gol no início da segunda etapa, e por alguns momentos os uruguaios ficaram abatidos. Porém, conseguiu se recuperar, com gols de William Ferreira e Flávio Scarone.

Outro classificado também foi o Cerro Largo.  Equipe do interior do Uruguai, da cidade de Melo, subiu a temporada passada para a 1ª divisão, e conseguiu um resultado totalmente expressivo na competição. Chegou ao 4º lugar da classificação geral e foi a surpresa do campeonato.

Para a Sul-Americana, sua primeira competição internacional, o Cerro Largo quis se preparar para avançar o mais longe possível. Remodelou o seu estádio e tentou montar uma equipe competitiva. Mas não teve muito êxito neste quesito.

Logo após o término do Campeonato Uruguaio, perdeu dois jogadores de seu trio ofensivo, considerado um dos melhores do Uruguai. O centroavante Sebástian Sosa acertara sua ida ao Palermo-ITA, enquanto Rino Lucas foi para o Caracas. Além deles, outros jogadores que eram pilares do time também saíram. O volante Rodrigo Sebástian Vazquez e o zagueiro Gonzalo Vieira reforçaram Peñarol e Cerro Porteño, respectivamente.

Sendo assim, o clube foi ao mercado de transferências e arranjou 11 jogadores, com destaques para o goleiro Álvaro García e o atacante Gastón Machado.

Mas as contratações não surtiram efeito. Estreou na copa contra o Aurora, na Bolívia, e não fez uma exibição boa, e ainda teve a sorte de sair com um gol feito fora de casa.

A tática imposta pelo treinador Danielo Nuñez foi a mesma da temporada passada. O 4-3-3 se mostrou bastante eficiente nos campos uruguaios, mas não funcionou na Copa Sul-Americana.

O meio-de-campo, bastante elogiado, foi muito mal, deixando verdadeiros buracos, mostrando grandes falhas na marcação. Álvaro Brum, que chegou para ser o responsável por armar a equipe, foi muito mal. No ataque, Marcos Neves não foi bem na ponta, enquanto para Gastón Machado, a bola simplesmente não chegava. O principal jogador da equipe no momento era Adolfo Lima, um dos jogadores remanescentes na boa campanha do time, mas que no momento também se mostrou ineficiente na partida.

Por último, o grande Nacional estreiou na competição. Não querendo fazer feio novamente quando perdeu para a “La U”, fora de casa, por 1×0, os bolsos precisam de uma boa apresentação.

Para a competição, a equipe tinha mudanças. No banco de reservas, Marcelo Gallado, ex-técnico do time, foi substituido por Gustavo Diaz, ex-Defensor Sporting. No campo, as saídas de Tabaré Viudez e Richard Porta foram as mais sentidas. Nas contratações, se destacam as voltas dos defensores Alejandro Lembo e Ádrian Romero, e do atacante Jonathan Ramírez.

Na estreia do tricolor, uma grande decepção. Jogando fora de casa contra o inexpressivo Deportes Iquique, jogou muito mal e perdeu por 2×0. Com uma defesa frágil e sem entrosamento, junto com uma meia-cancha cheia de jogadores e um ataque com um velocista isolado, o campeão uruguaio fez feio.

Para o jogo de volta, no estádio Centenário, Gustavo Díaz, “el Chavo”, mudou todo o esquema. Ao invés do estranho e totalmente ineficiente 4-5-1 do jogo de ida no Chile, voltou com a formação que Gallardo utilizava no campeonato uruguaio: o 4-3-3.

Díaz promoveu a entrada do jovem Gonzalo Bueno e do centroavante Alexander Medina. Desta maneira, Bueno e Sanchez faziam as pontas do ataque enquanto Cacique Medina era  referencia. No meio-de-campo, apenas ficou Cabrera. Piríz e Calzada, titulares na temporada passada, voltaram, enquanto os outros, Israel Damonte, Santiago Romero, Matías Vecino e Álvaro Recoba retornaram ao banco. Por último, na defesa, tirou o jovem Darwin Torres da lateral-esquerda, e colocou Ádrian Romero por aquele lado. Na zaga, voltou Alexis Rolín.

E logo no começo do jogo, pôde se ver que as mudanças deram certo. 11 minutos e a equipe já havia feito um gol. E no decorrer do jogo, também se viu uma equipe muito mais rápida e consciente, sem o meio-campo tão congestionado.

Ainda no primeiro tempo, Bueno igualou o placar levado no Chile: 2×0. E na segunda etapa, o 3×0 veio perto do fim, em uma cobrança de “Chino” Recoba, que entrara no lugar de Vicente Sanchez ainda no primeiro tempo, que saiu por lesão. Mais tarde, o mesmo Recoba deu passe para Vecino fazer mais um.

Pelo que se viu nesta primeira participação dos uruguaios, apenas o Cerro Largo saiu devendo. Danubio, mesmo eliminado, conseguiu jogar bem e dar bastante trabalho para o Olimpia. Liverpool passou com facilidade e jogando bem, enquanto o Nacional compensou a má exibição do jogo de ida no Centenário.

(Por Gustavo Dias).

O “enganche” argentino

Su número tradicional es el clásico 10. Aparece en los esquemas 4-4-2 con rombo al medio o en el 4-3-3 por la zona ofensiva del medio campo. El enganche es posiblemente la posición más famosa del fútbol.

No artigo anterior o Teoria FC destacou o surgimento dos alas no Brasil, hoje trataremos sobre outra figura clássica (e tão aprecisada) no futebol: o enganche argentino.

A presença crescente de enganches argentinos no futebol brasileiro tem aumentado bastante o respeito dos brasileiros em relação ao futebol argentino. Em particular chama a atenção o fato de que alguns desses atletas fizeram muito sucesso por aqui (Conca e Montillo, por exemplo).

A realidade é que a Argentina, ainda que produza esse tipo de jogador em grande quantidade, não tem dado muito espaço a eles nos últimos anos. Basta notar que Conca, Montillo, Bottinelli e Cañete mal conseguiram jogar por lá, acabaram se destacando no Chile antes de chegarem a clubes brasileiros. Escudero e Lanzini eram suplentes em Boca Juniors e River Plate quando vieram para cá. Isso não diz respeito à qualidade desses atletas em especial, mas ao fato de que os enganches não têm tido muito espaço no futebol do país porteño. Quem observa o atual campeonato argentino pode comprovar isso. A maioria das equipes tem optado por uma linha de quatro meios-campistas: dois volantes centralizados (doble 5) e dois meias de características ofensivas abertos pelos lados (carrileros). Esse é o sistema de jogo atual de equipes como River Plate, San Lorenzo, Vélez Sarsfield e Estudiantes.

Mesmo entre as equipes que mantém enganches, o jogador que desempenha a função frequentemente tem características de meia-atacante, e não alguém que pensa o jogo. Dentre as equipes de ainda mantém enganches típicos, esses jogadores têm tendido a atuar à frente de duas linhas de quatro, fazendo a ligação com um atacante único. Ou seja, quase como segundos atacantes, evidenciando o fato de que o sistema com linhas de quatro tende a predominar no país.

Mas nem sempre foi assim. Nos anos 70 o futebol argentino possuía pelo menos cinco jogadores que, disputando a Primera División, poderiam vestir tranquilamente a camisa 10 da Seleção Argentina. Bochini, Alonso, Babington, Valencia e Zanabria desfilavam sua arte pelos gramados da época. Isso pra não falar de talentos mais recentes como Messi, Burrito Ortega, Verón, Aimar, D’Alessandro, Riquelme…

Representavam aquele jogador que, recebendo a bola toca de primeira para o companheiro melhor colocado, ou, recebe a bola, limpa a jogada, levanta a cabeça e arquiteta a jogada seguinte. Com toques curtos ou com aquela estocada que perfura a marcação e deixa o companheiro na cara do gol, eram dignos da genialidade de um mestre enxadrista. De drible curto, toques refinados, visão tática ampla, cobradores de faltas, regentes, estrategistas, líderes.

Infelizmente o futebol argentino parece agora estar tomando decisões muito semelhantes àquelas que o futebol brasileiro tomou entre os anos 1980 e 1990 ditos no artigo anterior. Até ali nosso futebol tinha se destacado, entre outras coisas, pela existência de geniais meio campistas (geralmente atuando com a camisa 8) que marcavam e organizavam o jogo, enquanto o camisa 10 (que aqui sempre teve mais características de meia-atacante, como Pelé e Zico) se juntava aos atacantes para infernizar as defesas adversárias.

Há 20 ou 25 anos esse ciclo se encerrou. Optamos por dois volantes defensivos e dois meias mais ofensivos, como os argentinos fazem agora. Nesse processo, os meias organizadores, que marcavam e pensavam o jogo, sumiram. A brilhante linhagem de Didi, Gérson, Ademir da Guia e Dirceu Lopes se extinguiu com Cerezo e Falcão.

Muitos anos depois, percebemos o erro que havíamos cometido. Mas depois de tanto tempo, esse tipo de jogador não existia mais por aqui e tivemos de buscar os camisas 10 argentinos para organizar o meio campo de nossas equipes. Mas se o futebol argentino continuar sem dar importância aos enganches, esse tipo de jogador deixará de existir. E de onde virá a vida inteligente nas meia-canchas das duas grandes potencias do futebol sul americano?

(Por Raphael).

Alas – benefício ou malefício ao futebol tupiniquim?

Inaugurando a coluna sobre Cultura Futebolística, o Teoria FC apresenta, pra você leitor, uma abordagem sobre o surgimento dos alas e como isso prejudica até hoje a formação de jogadores brasileiros mais completos.

Sempre considerei os alas brasileiros verdadeiras aberrações táticas. Ninguém consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo e, para cobrir esses avanços, os técnicos precisam escalar mais zagueiros e/ou volantes para corrigir esse desequilíbrio tático. Ora, se alguém está em campo só para marcar e cobrir laterais, não seria bem mais inteligente ter mantido os laterais e os pontas tradicionais adaptados ao futebol atual? Com este pensamento, o “Teoria FC” aborda o surgimento dos nossos alas e por que essa função criou um dilema tático no futebol brasileiro.

É bastante conhecida a história envolvendo o lendário Nilton Santos na partida contra a Áustria no Mundial de 1958. A Seleção Brasileira já vencia por 1 a 0 quando no começo do segundo tempo o lateral-esquerdo decidiu aproveitar o espaço no flanco canhoto para apoiar o ataque. “Volta, Nilton!” gritava do banco o técnico Vicente Feola. Mas o Enciclopédia não deu ouvidos e continuou a avançar. “Volta, Nilton” repetiu a ordem, novamente ignorada. Eis que Nilton chuta da entrada da área e marca o segundo gol brasileiro. “Boa, Nilton”, murmurou o treinador.

À época, as subidas dos laterais ao ataque eram incomuns, para não dizer, proibidas. Mesmo porque, em tese, um módulo 4-2-4 não precisava de apoio constante de jogadores que tinham como função básica a marcação do ponteiro adversário. No entanto, dentro do esquema brasileiro, as arrancadas do lateral botafoguense até faziam sentido, afinal, havia a presença do voluntarioso Zagallo, que sempre recuava para compor o meio-campo, dando estabilidade ao sistema defensivo. Mesmo assim, a subida de laterais ao ataque era tão rara que aquele foi apenas um dos três gols que Nilton marcou com a camisa canarinho.

Doze anos depois, o panorama era diferente. Carlos Alberto Torres, lateral-direito e capitão da Seleção, tinha como uma de suas funções e chegada ao ataque aproveitando o corredor deixado pelas diagonais do atacante Jairzinho. O melhor exemplo aconteceu na final contra a Itália, quando o capitão brasileiro aproveitou a marcação homem a homem do lateral-esquerdo Facchetti sobre o camisa 7 para marcar o último gol brasileiro na vitória por 4 a 1. Enquanto isso, no outro extremo da defesa, Everaldo tinha ordens para guardar mais a posição, funcionando como lateral tradicional ou até mesmo um terceiro zagueiro.

A Copa de 1982 marcou o fim da utilização de dois pontas na Seleção Brasileira e a maior liberdade para os laterais. Na Espanha, os laterais Leandro e Júnior tinham liberdade para apoiar fazendo uso constante de ultrapassagens. No time concebido por Telê Santana, Éder fazia as funções de ponta-esquerda e segundo atacante, enquanto um acordo previa o revezamento entre Zico, Sócrates e outros no flanco direito. Na prática, o Galinho de Quintino era o que mais caía pelo setor, o que acabou provocando o descontentamento do craque. Nasciam ali, os futuros alas brasileiros com obrigações de atuar por toda extensão lateral do gramado, tanto na defesa quanto no ataque.

O 3-5-2 surgiu em 1984 através do alemão Sepp Piontek, técnico da Dinamarca semifinalista da Eurocopa daquele ano. Basicamente, Piontek acreditava que o novo sistema seria ideal diante do mundialmente instaurado 4-4-2, pois tinha três defensores para marcar os dois atacantes adversários e um jogador a mais no meio-campo. Dois anos depois, o técnico chamou a atenção do mundo ao utilizar o mesmo módulo no México e conquistar a primeira colocação de um grupo que contava com Alemanha, Escócia e Uruguai. Embora tenha encantado, a chamada Dinamáquina encontrou seu carrasco logo nas oitavas-de-final daquela Copa ao ser batida pela Espanha de Butragueño por inapeláveis 5×1. Todavia, a semente estava plantada e no Mundial de 1990 nada menos que 20 das 24 seleções usaram o 3-5-2. Entre elas, o Brasil.

Na Itália, a Seleção de Sebastião Lazaroni adotou o 3-5-2 num Mundial marcado pela supremacia dos sistemas defensivos. No esquema brasileiro, o trio de zagueiros tinha à frente o volante Dunga, enquanto os meias Alemão e Valdo se alinhavam aos alas Jorginho e Branco. No ataque, Muller atuava prioritariamente pelos flancos, enquanto o centroavante Careca permanecia mais centralizado. Dada a carência criativa daquela equipe, esse time é lembrado como uma das piores versões do Brasil em Copas.

Todavia, a dinastia dos alas brasileiros estava consolidada. E, com ela, a necessidade de realizar a cobertura dos espaços deixados pelos intrépidos laterais. Em 1994, Zinho, conhecido por seu dinamismo, ficou conhecido como “enceradeira” justamente pelo suporte que precisava dar ao lateral esquerdo. Orientado por Carlos Alberto Parreira, Zinho segurava a bola até a passagem de Branco (ou Leonardo) e geralmente cumpria essa tarefa girando o corpo para protegê-la dos adversários. No lado direito, a obrigação era de Dunga que frequentemente ouvia “Vai Cafu! Vai Cafu! O Dunga te cobre!” e, taticamente obediente como sempre foi, já sabia o que fazer. O apoio simultâneo dos laterais era tão constante àquele time, que Mauro Silva foi muitas vezes era visto em campo como um terceiro zagueiro. Quatro anos depois, Zagallo manteve esquematização semelhante: “Quero meus laterais jogando como pontas”, dizia. Não por acaso, o bloqueio das laterais do campo foi uma das estratégias utilizadas pelo técnico Aimé Jacquet na fatídica final entre Brasil e França. Com as laterais fechadas, o time teve que sair jogando pelo meio. O resto é história.

Em 2002, a maior preocupação de Scolari na montagem da futura seleção pentacampeã era justamente como se defender tendo laterais tão ofensivos quanto Cafu e Roberto Carlos. Este último até era acostumado a jogar na primeira linha do Real Madrid. Cafu, porém, atuava na segunda linha da Roma tendo o italiano Panucci atrás de si. Como solução, Felipão escalou um trio de zagueiros formado por Lúcio, Edmilson e Roque Júnior e ainda destacou Gilberto Silva como guardião da defesa. Versátil, Edmilson também atuava como volante de acordo com a postura do adversário, alterando o módulo do time de um 3-4-2-1 para um 4-3-2-1. No fim, a intenção era ter um time capaz de suportar e municiar os três craques do time: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Parreira reassumiu a Seleção em seguida e trocou o sistema com três zagueiros por sua ortodoxa linha de quatro. Nesse 4-3-1-2, a saída de bola era realizada por Roberto Carlos, Cafu e o volante Emerson que, se não era limitado tecnicamente, também não primava pela excelência no passe. Mais à frente, Juninho Pernambucano e Zé Roberto davam a classe que o meio-campo precisava, enquanto Kaká fazia a ligação para o ataque formado pelos os dois Ronaldos. Entretanto, cedendo ao clamor popular, Parreira trocou o equilíbrio tático por uma aventura batizada como “quadrado mágico”, onde Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo colaboravam pouco com o sistema defensivo. Na prática, havia uma cisão entre ataque e defesa onde não havia armadores capazes de amarrar as duas partes.

E foi justamente nesse ponto que os laterais começaram a cobrar um alto preço na formação de nossos jogadores. A divisão estava clara: Formávamos volantes essencialmente marcadores – que tinham como uma de suas funções cobrir os avanços dos alas – e meias, quase que exclusivamente ofensivos. Na base e no profissional, qualquer jogador mais criativo é logo adiantado para o campo de ataque sob o pretexto de que o talento não pode se desgastar com a marcação. Naquele momento, o meia clássico capaz de armar o jogo e ainda ser capaz de marcar estava praticamente morto. O melhor exemplo desse “defeito de fabricação” foi visto na Copa de 2010. Na África do Sul, a equipe comandada por Dunga trabalhava com dois volantes marcadores e uma linha de três homens voltada para o ataque (com exceção do Elano).

Atualmente, esse é o maior dilema dos treinadores brasileiros. Sabem que a tendência mundial é que os volantes joguem, mas não tem matéria-prima para isso. Por anos desenvolvemos jogadores unidimensionais e agora a fatura chegou. Felizmente, ao que tudo indica, esse equívoco histórico já foi detectado. Todavia, solucioná-lo pode demandar algumas gerações.

(Por Raphael).